Os governos do Reino Unido, da França e do Canadá anunciaram nesta terça-feira (8/9) sanções contra assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada. As medidas incluem a proibição de importar produtos de assentamentos israelenses e a proibição de anúncios de terrenos nestas áreas.
Outros nove países se comprometeram a introduzir restrições nacionais ou apoiar restrições europeias ao comércio de bens: Dinamarca, Finlândia, Islândia, Irlanda, Noruega, Polônia, Portugal, Espanha e Suécia.
“A situação [na Cisjordânia] está se deteriorando rapidamente em meio a níveis sem precedentes de violência por parte dos colonos e expansão dos assentamentos [israelense], incluindo a decisão inaceitável de publicar licitações para o projeto de assentamento E1”, diz o comunicado conjunto dos ministérios das Relações Exteriores dos três países que lideraram a medida.
“O governo de Israel deve interromper imediatamente a expansão dos assentamentos e dos poderes administrativos civis, garantir a responsabilização pela violência dos colonos e investigar as denúncias contra as forças israelenses”, complementa o comunicado.
Segundo a chancelaria do Reino Unido, as sanções comerciais devem entrar em vigor entre de seis a nove meses.
Os 12 países que aderiram à medida se disseram comprometidos com a solução de dois Estados” para que Israel e Palestina possam existir pacificamente e disseram que “as ações do Governo de Israel na Cisjordânia estão minando a possibilidade de uma solução de dois Estados”.

A Cisjordânia é considerada território palestino pela Organização das Nações Unidas (ONU), mas é ocupada por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Críticas do Reino Unido
O chanceler britânico Ed Miliband alegou que Israel faz uma “limpeza étnica” na Palestina e produz “uma mancha na consciência do mundo”. Segundo ele, a posição oficial do Reino Unido é de que os assentamentos israelenses na Cisjordânia são ilegais e feitos por “colonos terroristas”.
Miliband critica o fato de que, nos últimos quatro anos do governo do premiê israelense Benjamin Netanyahu, foram aprovados mais assentamentos do que “nos 20 anos anteriores”.
“Casas demolidas. Estradas e infraestrutura pública destruídas. Famílias desalojadas de suas casas. Comunidade por comunidade. Família por família. Pessoa por pessoa”, destacou.
Em retaliação, Israel ordenou o fechamento do consulado do Reino Unido em Jerusalém e alegou que as acusações do chanceler britânico são “falsas”.

