Relatos publicados nas redes sociais durante a 28ª Bienal do Livro de São Paulo levantaram suspeitas contra um dos homens que participou de ação da editora Fruto Proibido. Usando uma máscara inspirada no personagem Ghostface, ele estava no estande da editora, que divulgava livros de “dark romance”. Depois que o rosto do homem foi compartilhado nas redes, outras pessoas afirmaram reconhecê-lo e relataram supostas abordagens de cunho sexual e conversas com adolescentes.
A Bienal aconteceu entre sexta-feira (4/9) e domingo (6/9), em um pavilhão de exposições na zona sul de São Paulo. Contratados pela editora para representar personagens e o universo das obras, os homens mascarados abordavam visitantes e participavam de vídeos e interações durante o evento.
Após a ação, vídeos e relatos de participantes começaram a circular nas redes sociais, Algumas publicações descrevem abordagens de caráter sensual durante as interações com os mascarados.
A repercussão aumentou depois que outras pessoas passaram a compartilhar relatos sobre experiências que afirmam ter tido com um dos integrantes do grupo, fora da Bienal. Entre as publicações, há alegações sobre supostas interações sexuais com adolescentes.






Após ter o rosto identificado nas redes, um dos mascarados passou a ser citado em relatos de supostas abordagens de cunho sexual feitas
Reprodução / Redes sociaisApós ter o rosto identificado nas redes, um dos mascarados passou a ser citado em relatos de supostas abordagens de cunho sexual feitas
Reprodução / Redes sociaisApós ter o rosto identificado nas redes, um dos mascarados passou a ser citado em relatos de supostas abordagens de cunho sexual feitas
Reprodução / Redes sociaisApós ter o rosto identificado nas redes, um dos mascarados passou a ser citado em relatos de supostas abordagens de cunho sexual feitas
Reprodução / Redes sociaisApós ter o rosto identificado nas redes, um dos mascarados passou a ser citado em relatos de supostas abordagens de cunho sexual feitas
Reprodução / Redes sociaisO que é dark romance?
- Romances para adultos, as histórias são, em geral, indicadas para maiores de 18 anos e podem abordar temas considerados sensíveis.
- As tramas costumam envolver relações intensas, obsessão, violência, poder, conflitos e situações moralmente complexas.
- Em um universo de ficção, os comportamentos e situações apresentados fazem parte da narrativa e dos personagens das obras.
- O gênero ganhou espaço principalmente em plataformas como TikTok e Instagram, onde leitores compartilham resenhas, indicações e conteúdos sobre os livros.
- A popularidade do gênero também fez surgir ações temáticas, fantasias e personagens inspirados nas obras em eventos voltados aos fãs.
Relatos nas redes sociais
Uma das pessoas que publicou um relato diz ter sido abordada pelo homem durante a própria Bienal. Segundo ela, ele a chamou para gravar um vídeo e, durante a gravação, teria encostado nela contra uma parede e feito a filmagem de forma sensual. A mulher afirma que, na hora, levou a situação na brincadeira, mas depois diz ter descoberto que ele manteria um grupo no WhatsApp com adolescentes que interagiam com a persona criada por ele e também davam em cima dele.
A partir da divulgação do rosto do homem mascarado nas redes sociais, outras pessoas também passaram a dizer que o reconheceram e compartilharam relatos sobre ele.
Uma dessas pessoas afirma que conheceu o homem em um clube de leitura de dark romance, no início de 2025. Segundo ela, ele ajudava na divulgação do grupo e interagia com os participantes.
Segundo a publicação, algumas dessas interações passaram a envolver flertes e que ele também dava abertura para esse tipo de conversa. O relato também menciona supostos grupos privados e festas com pessoas mais jovens. A autora afirma ter ouvido falar ainda de um grupo formado por adolescentes que seria administrado pelo homem.
O relato também questiona a idade atribuída a ele. Segundo a autora, o homem teria informado idades diferentes em momentos distintos e, atualmente, afirmaria ter 30 anos.
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Adolescentes e festa
O Metrópoles conversou com uma das mulheres que publicou relatos sobre o homem — e que preferiu não se identificar. Ela afirma que reconheceu o rosto de um dos mascarados que participaram da ação na Bienal e diz que se trata do mesmo homem sobre quem havia relatado experiências anteriores.
Segundo a mulher, o contato com o homem começou há cerca de três anos, quando um amigo dela, que tinha entre 16 e 17 anos na época, recebeu uma mensagem dele pelo WhatsApp. Os dois estavam em um grupo em comum sobre festas. Depois, segundo ela, o homem também passou a conversar com ela e com uma amiga que tinha 15 anos.
“Ele vendeu o evento como sendo algo incrível pra nós. Ele usou nosso amigo para convencer nós, meninas, a irmos”, contou.
Ela afirma que o homem tentou convencê-las a participar de uma festa em uma chácara no interior de São Paulo. Na época, as três eram adolescentes. A mulher diz que chegou a considerar ir, mas desistiu e convenceu as amigas a não participarem. Ainda segundo o relato, depois elas souberam que havia drogas e espaços destinados a relações sexuais na festa.
Em nota, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo afirmou que o episódio ocorreu dentro do estande de um dos expositores, mas não fazia parte da programação nem de uma ação oficial promovida ou autorizada pela organização.
Segundo a Bienal, assim que tomou conhecimento do caso, a organização notificou a editora responsável pelo estande. A organização também afirmou que não compactua com condutas inadequadas dirigidas ao público e reforçou o compromisso de manter um ambiente seguro, respeitoso e acolhedor para visitantes, expositores, autores e demais participantes do evento.
O Metrópoles procurou e editora Fruto Proibido mas até a publicação desta reportagem, não obteve retorno. O espaço segue aberto.

