Os principais candidatos à Presidência usaram os atos de 7 de Setembro, nessa segunda-feira, para reforçar seus discursos políticos de olho nas eleições de outubro, sinalizando as estratégias que devem adotar nas próximas semanas de campanha eleitoral.
De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a união entre os Poderes e a soberania nacional, diante das investidas norte-americanas. Do outro, Flávio Bolsonaro (PL) fez críticas contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), associando-o a Lula, enquanto aliados cobraram por uma atitude do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).
O petista participou do tradicional desfile da Independência, em Brasília, nessa segunda-feira (7/9), ao lado dos líderes dos demais poderes. Além de Alcolumbre, compareceu também o presidente do STF, Edson Fachin. Em meio às restrições do defeso eleitoral, o Palácio do Planalto buscou reforçar o discurso de soberania e mostrar uma frente unificada apesar das crises internas. Durante o ato, painéis mostraram a frase: “Soberania, a força que une o Brasil”.
Horas depois, em publicação nas redes sociais, o perfil oficial de Lula compartilhou uma imagem dele e da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, durante o desfile, com a definição da palavra “soberania”.
“É a liberdade de um povo para escolher seus caminhos, tomar suas próprias decisões e construir seu futuro sem interferências externas. É cuidar da nossa história e defender nossos interesses, porque uma nação verdadeiramente livre é aquela que tem o direito de decidir por si mesma. Viva o Brasil soberano!”, diz o texto da legenda.
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Direita explora crise no STF e pressiona Alcolumbre
Em ato na Avenida Paulista, em São Paulo, durante a tarde, Flávio Bolsonaro e aliados exploraram a crise histórica que acomete o STF e que se acirrou na última semana após a troca de acusações entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, relator do caso Master.
Integrantes da direita defenderam a atuação de Mendonça, que foi homenageado pelos bolsonaristas, no ato, com um boneco inflável gigante, e reforçaram as críticas a Moraes, pedindo pelo impeachment do ministro, em decorrência da divulgação das mensagens entre ele e o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Em seu discurso, Flávio tentou associar Lula ao ministro, dizendo que quem vota no petista estaria votando em Moraes também. Ele disse, ainda, que a Corte não pode ser contaminada por uma “laranja podre”, referindo-se ao magistrado.
Aliados fizeram discursos no mesmo sentido. O candidato a vice na chapa, Alfredo Gaspar (PL), afirmou que o ministro do STF e o presidente do Brasil são “duas faces da mesma moeda”. O pastor Silas Malafaia, figura recorrente em atos do bolsonarismo, disse que “se Lula continuar presidente, Moraes vai continuar as suas investidas”.
Uma ala da direita fez questão, ainda, de expressar críticas ao senador Davi Alcolumbre por não pautar o impeachment do ministro no Senado. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou, durante discurso, que fará uma manifestação em Macapá (AP), terra natal do senador, no próximo fim de semana, como uma forma de pressioná-lo a colocar em votação o processo contra Moraes.







Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência
Rebeca Ligabue/MetrópolesPúblico em manifestação pró-Flávio Bolsonaro, na Avenida Paulista
Rebeca Ligabue/MetrópolesBoneco inflável de Trump segurando Lula preso, em ato de Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo
Sam Pancher/MetrópolesAto de 7 de Setembro na Avenida Paulista
Rebeca Ligabue/MetrópolesFlávio Bolsonaro na Paulista
Sam Pancher/MetrópolesMoro na Paulista
Sam Pancher/MetrópolesTarcisio de Freitas em manifestação na Paulista
Rebeca Ligabue/MetrópolesAtos de Renan, Zema, Caiado e Cury
A crise no STF não passou despercebida pelas demais campanhas à Presidência. Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) também fizeram atos na capital paulista com críticas à atuação do STF. O ex-governador de Minas Gerais disse que em um “país mininamente civilizado” o ministro estaria “encarcerado”. Já o presidenciável do Missão, além de Moraes, defendeu a saída do ministro Dias Toffoli.
Augusto Cury (Avante) escolheu uma caminhada com apoiadores no Rio de Janeiro para comentar o caso. O presidenciável mandou “um abraço muito especial” ao ministro André Mendonça, defendeu a “independência” do Supremo e, sem citar Moraes, disse que toda investigação deve ser feita “doa a quem doer”.
Ronaldo Caiado (PSD) assistiu ao desfile de 7 de Setembro em Goiânia, na capital do estado que presidiu por quase dois mandatos antes de renunciar para disputar a Presidência. No ato, direcionou críticas a Lula, quem disse não ter “autoridade moral” para falar em soberania e que ele “devolveu o Brasil à corrupção”.
Quaest: Lula lidera 1º turno com 36%; Flávio tem 29%
- Lula (PT): 36%
- Flávio Bolsonaro (PL): 29%
- Augusto Cury (Avante): 8%
- Renan Santos (Missão): 3%
- Ronaldo Caiado (PSD): 3%
- Romeu Zema (Novo): 2%
- Pablo Marçal (PRTB): 1%
- Indecisos: 9%
- Branco, nulo ou não irão votar: 8%
A Quaest entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais entre 3 e 6 de setembro. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos. O nº de registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-01720/2026.

