A corrida eleitoral já chegou na metade e até agora os dois principais candidatos ao Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, têm feito campanhas em direções opostas.
Enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição, tem priorizado agendas em eventos fechados e concentrado compromissos na região metropolitana, Fernando Haddad (PT) tem ido às ruas para tentar convencer o eleitor, especialmente no interior paulista.
Nos 22 dias que marcaram a primeira metade da campanha, Tarcísio fez apenas uma caminhada na rua, no centro de São Paulo. Na ocasião, o governador recebeu o apoio de comerciantes do local, mas também ouviu gritos pró-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nos demais dias, o candidato se dividiu entre lançamentos de candidatura de aliados, eventos fechados com mulheres, e encontros com empresários.
Em entrevista a jornalistas na última quinta-feira (3/9), Tarcísio disse que deve aumentar a interação com o eleitorado nos próximos dias.
“A ideia é que, à medida que a eleição vai chegando perto, a gente intensifique as ações de rua, o corpo a corpo, o contato com o eleitor, os eventos. Tem uma gradação, tem um ganho de energia à medida que a gente vai chegando mais perto da eleição”, afirmou ele. Neste sábado (5/8), Tarcísio participou de uma carreata em Sumaré, no interior paulista.
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Haddad, por outro lado, fez nove caminhadas nas ruas da capital, região metropolitana e interior paulista. Em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, o petista busca caminhos para aumentar a receptividade entre os paulistas, sem muito sucesso na empreitada.
Na tentativa de apresentar suas propostas a um público maior, Haddad tem dado entrevistas a diferentes jornais e portais. Nas sabatinas, aproveita o espaço também para criticar o adversário, de quem tem cobrado explicações sobre temas como as concessões das linhas de trem e a qualidade da educação em São Paulo.
Na última quarta-feira (2/9), o petista sugeriu que Tarcísio estaria se escondendo por ter negado participar de entrevistas.
“Eu estou dando todas as entrevistas para as quais eu sou convidado. Infelizmente, não estou tendo o mesmo comportamento que o meu adversário, que sumiu, deu uma desaparecida. Talvez seja difícil [para ele] justificar o que está acontecendo”, disse o petista.
A segunda etapa da campanha, que vai até a eleição no dia 4 de outubro, deve marcar uma intensificação nas cobranças de Haddad ao adversário, desta vez com foco no caso Banco Master.
Na última quinta-feira (3/9), reportagem do portal Uol revelou que as propostas de delação premiada de Daniel Vorcaro relacionavam doações feitas, em 2022, para as campanhas de Tarcísio e Jair Bolsonaro (PL) com um suposto pagamento de propina negociado com Gilberto Kassab (PSD). O intuito seria manter funcionando em São Paulo, caso Tarcísio fosse eleito, o credenciamento do consignado Credcesta, ligado ao Master.
As propostas de delação foram negadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Tarcísio disse que a fala de Vorcaro “beira o ridículo”, negou qualquer relação com o banqueiro e ressaltou que o Credcesta já estava credenciado quando ele entrou no Palácio dos Bandeirantes. Kassab afirmou que a fala é “fantasiosa” e também negou qualquer irregularidade.

