A estreia de Maíra na televisão veio cercada de intensidade. Depois de construir uma trajetória no teatro e na música, a atriz deu vida à presidiária Marlene em Quem Ama Cuida e viveu o sonho de infância de fazer parte de uma novela. Em entrevista à coluna Fábia Oliveira, a artista abriu o coração.
“Eu estaria sendo injusta comigo se não falasse do sonho de criança se concretizando a partir desse convite”, contou ela. “Foi um prazer construir a Marlene, principalmente pela intensidade da participação dela na trama. (…) Independentemente do tamanho do personagem, ali naquele núcleo da cadeia, uma peça fora da energia faria tudo desandar”, completou.
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Agora, enquanto celebra a chegada à TV, Maíra também se prepara para subir ao palco com Nosso Amor aos Doces Bárbaros, espetáculo que será apresentado no dia 7 de setembro, no Rio, pelo grupo Os Esotéricos. A montagem revisita, 50 anos depois, o legado de Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia e ganha ainda mais simbolismo ao ser apresentada no Dia da Independência.




Maíra
DivulgaçãoMaíra
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DivulgaçãoPara a atriz, o momento também permite refletir sobre liberdade e intolerância. “Nesse contexto em que o óbvio precisa voltar a ser dito, as próprias letras das músicas revelam esse paralelo”, afirmou.
Com novos planos pela frente, a artista já sabe quais são seus próximos grandes desejos: gravar o primeiro álbum com músicas autorais e conquistar um papel de vilã na televisão. “Tenho dois grandes sonhos hoje: um é gravar meu primeiro álbum com 8 faixas autorais, e outro é interpretar minha primeira vilã”, disse.
Leia a entrevista completa com Maíra:
Você fez sua estreia na televisão em Quem Ama Cuida. Como foi viver esse momento depois de uma trajetória ligada principalmente à música e ao teatro?
Eu agradeço muito à toda a vivência que os palcos me deram, porque eu acredito que tudo que eu construí ao longo da minha carreira tanto na música quanto no teatro me permitiram viver esse momento agora com mais plenitude e mais consciência das minhas potencialidades. Tudo que eu posso oferecer enquanto artista vem do meu treinamento e respeito por essa profissão. Poder exercer meu trabalho com esse nível de suporte e projeção é motivo de celebração pra mim!
O que passou pela sua cabeça quando recebeu o convite para fazer sua primeira novela?
Foram muitos pensamentos simultâneos, como pessoa neurodivergente que sou (risos). Mas eu estaria sendo injusta comigo se não falasse do sonho de criança se concretizando a partir desse convite. Eu comecei a fazer teatro com uns 8 anos de idade, e nessa época já assistia novelas com a minha avó. Lembro que desejei muito fazer parte daquele universo porque sempre me encantou essa linguagem intensa do melodrama, e tramas onde (quase) tudo é possível. Então talvez o primeiro pensamento tenha sido “obrigada pela oportunidade, ela foi muito esperada, e eu darei meu melhor”.
Como foi construir a Marlene, uma personagem que aparece em um núcleo tão intenso da trama? O que mais te desafiou nessa personagem?
Foi um prazer construir a Marlene, principalmente pela intensidade da participação dela na trama. Eu tenho um pensamento, que provavelmente é comum a qualquer ator, que é de tentar montar o quebra-cabeças da trama e entender onde seu personagem se encaixa no desenvolvimento do conflito central. Independentemente do tamanho do personagem, ali naquele núcleo da cadeia, uma peça fora da energia faria tudo desandar. Então o meu principal desafio foi manter a intensidade da personagem e a tensão necessária pelo ambiente em que estávamos, tentando ainda trazer outras nuances pra ela.
Depois dessa estreia, você pretende continuar investindo na TV? Que tipo de personagem ainda gostaria de interpretar?
Com certeza! Me sinto muito pronta pra pegar um personagem e hiper focar nele hahaha. Eu gostaria de interpretar personagens intensos, e quem sabe com uma certa vilania, ou então algum personagem que me motivasse a estudar alguma coisa específica, como uma cirurgiã por exemplo.
O que te fez querer participar de Nosso Amor aos Doces Bárbaros?
Eu tenho muita gratidão aos artistas que vieram antes e pavimentaram o caminho, sabe? Quando a gente idealizou o show há um tempo atrás foi muito com essa sensação de prestar uma homenagem em agradecimento ao fato de que há 50 anos esses quatro se juntaram para celebrar 10 anos de carreira. E agora nós temos a oportunidade de celebrar suas vidas e toda a contribuição pro entendimento do que é arte e cultura do nosso território.
O espetáculo nasceu em um período de ditadura. Que paralelos você enxerga entre aquele momento e o Brasil de hoje?
Primeiramente agradeço muito por (ainda) vivermos numa democracia, porque por pouco não estamos fazendo esse paralelo direto. Mas evidentemente estamos vivendo um retrocesso imenso no que diz respeito à naturalização de certas intolerâncias. Nesse contexto em que o óbvio precisa voltar a ser dito, as próprias letras das músicas revelam esse paralelo. Um exemplo disso é quando cantamos que somos “livres para amar” num Brasil que ainda lidera mundialmente o ranking de violência contra a comunidade LGBTQIAPN+
Como é dividir o palco com Simone Mazzer, Verônica Bonfim e Guilherme Borges?
A sensação honesta é de estar em casa. Além dos três serem artistas que eu admiro demais há muitos anos, são amigos queridos e pessoas que têm um respeito imenso pela nossa profissão. É um presente, de verdade.
Existe alguma música dos Doces Bárbaros que tenha um significado especialmente forte para você?
Eu amo muito todas, mas tem uma que já estava até no repertório do meu primeiro show solo em 2015 dado o tamanho da importância dela pra mim: Fé Cega, Faca amolada. Eu amo esse ímpeto de brilho e fé que ela traz, e que quando você é toda fora do padrão, é o que te faz ir em frente também.
O que você espera que o público leve para casa depois de assistir ao espetáculo?
Pra além do sentimento de nostalgia e celebração, espero muito que as pessoas saiam com energia e vontade de viver inteiras!
Depois da novela e do novo espetáculo, quais são os próximos sonhos profissionais?
Tenho dois grandes sonhos hoje: um é gravar meu primeiro álbum com 8 faixas autorais, e outro é interpretar minha primeira vilã.

