A Justiça de São Paulo condenou 14 integrantes de uma organização criminosa formada por matadores, policiais militares, guardas municipais e um ex-PM que atuava no interior paulista e mantinha conexões com outras facções. Somadas, as penas impostas aos integrantes chegam a 160 anos, 5 meses e 29 dias de prisão. Dois condenados seguem foragidos, entre eles o líder do esquema.
O bando agia em apoio a uma célula do Comando Vermelho (CV), atuante no interior paulista, tendo entre seus alvos rivais do Primeiro Comando da Capital (PCC).







Chefe da GCM de Araras foi afastado
ReproduçãoSubcomandante da guarda teve prisão decretada
ReproduçãoComandante da guarda é investigado por suposto elo com facção carioca
ReproduçãoPM liderava grupo criminoso, diz Polícia Civil
Reprodução/Polícia CivilPolicial agia nos bastidores do crime, mesmo estando na ativa
Reprodução/TJSPGuarda dava infirmações para criminosos
Reprodução/Policia CivilSegundo sentença obtida pela coluna, o grupo atuou ao menos entre 2024 e 2025, principalmente na região de Araras, interior paulista. A estrutura era voltada a homicídios por encomenda, proteção de pontos de tráfico, cobrança de propinas, circulação de armas e uso de carros clonados. Agentes públicos ainda forneciam informações privilegiadas aos criminosos. A decisão é de 26 de agosto.
O PM Carlos Alexandre dos Santos, o Bicho ou Cabra (veja galeria acima), exercia papel central no braço operacional. Segundo a Justiça, articulava homicídios, administrava dinheiro ilícito e usava a condição de policial para favorecer a organização.
PMs e guardas envolvidos
Após a prisão dele, outro PM, José Casemiro de Lima Júnior, o Bigode, assumiu a arrecadação de valores cobrados de traficantes. O ex-PM Nivaldo Carlos Gallo Júnior, o Galo, também integrava a organização e participava do levantamento de alvos e de articulações relacionadas a homicídios e roubo de armas.
Entre os guardas municipais, Dênis Davi de Lima ocupava posição estratégica. Lotado no Centro de Operações Integradas (COI), usava informações privilegiadas e o sistema de monitoramento urbano para avisar comparsas sobre ações policiais e veículos acompanhados pelas autoridades.
Leia também
Pistola ligada a oito vítimas
Uma das principais provas contra o grupo veio da balística. Uma pistola Canik calibre 9 mm, apreendida durante a investigação, foi relacionada a cinco ataques envolvendo oito vítimas.
Entre os casos estão um no qual duas pessoas morreram e uma conseguiu fugir.
As ocorrências já apareciam nas conversas analisadas pelos investigadores. O confronto balístico reforçou a ligação entre a arma e crimes atribuídos ao grupo.
Líder segue foragido
O líder apontado pela Justiça é Josias Bezerra Menezes, o Pastor ou Senhor das Armas. Ele financiava veículos e armamentos, autorizava execuções e mantinha conexões relacionadas ao fornecimento de armas ao CV. A investigação também identificou ações contra integrantes do PCC.
Josias e o GCM Anilton dos Santos, o Tijolo, continuam foragidos. A sentença manteve as prisões preventivas dos condenados e determinou, após o trânsito em julgado, a perda dos cargos públicos de Carlos, Dênis, Anilton, Tiago Aparecido Cândido e José Casemiro.
As maiores penas
As condenações individuais variaram de 9 anos a 15 anos e 9 meses de reclusão, todas em regime inicial fechado.
As duas maiores — 15 anos e 9 meses — foram impostas a Willian Mateus Felix, o Gordão, e Fernando Borges Vitor Cerqueira, o V8 ou Menino Nosso.
Mikael Narciso Pereira, o Robinho ou DJ Robinho, recebeu 13 anos, 1 mês e 15 dias, enquanto o líder Josias foi condenado a 12 anos.

