Com 10 anos, os gêmeos Bem e Liz são frutos do relacionamento de oito anos do ex-casal Luana Piovani e Pedro Scooby. A dupla infantil esteve envolvida no centro de uma briga entre os pais. A confusão começou com um relato da apresentadora e ex-atriz na internet. Ela reclamou que a menina estava com piolhos, enquanto o garoto apresentou picadas e ferimentos nas pernas. As crianças passaram as férias com o pai no Brasil.
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A coluna Claudia Meireles conversou com a psicóloga Cláudia Melo para entender como a discussão entre pais ou responsáveis afeta o psicológico das crianças e adolescentes. Segundo a especialista, o filho não assiste simplesmente ao conflito dos pais, mas sim, vive esse embate de alguma forma: “Dependendo da idade, pode sentir medo, ansiedade, insegurança, raiva e até culpa, como tivesse responsabilidade pelo o que está acontecendo.”

Entre adultos
Ao avaliar o contexto, a expert frisa que pode ocorrer ainda o conflito de lealdade, tópico que Claudia considera complicado para um filho vivenciar na infância. Ela explica: “Se eu ficar do lado da minha mãe, estou traindo o meu pai? Se eu demonstrar amor pelo meu pai, vou magoar a minha mãe?”. A psicóloga endossa: “Nenhuma criança deveria precisar escolher emocionalmente entre duas pessoas que ama.”
“O casal pode terminar, mas a relação daquela criança com o pai e mãe continua existindo e precisa ser preservada”, reitera a especialista.

Para Cláudia, o desentendimento entre Pedro Scooby e Luana Piovani com relação à criação dos filhos teria de ser tratado entre pai e mãe sem envolver Bem e Liz. “Os assuntos de adultos precisam ser resolvidos entre adultos”, aconselha. A expert sustenta que o tópico parece simples, mas “exige maturidade” na prática.
” A criança não deve ser mensageira, mediadora, testemunha ou fonte de informação sobre a vida do outro. Frases como ‘fala para o seu pai’, ‘pergunta para sua mãe’ ou ‘me conta o que acontece na casa dele’ colocam o filho em uma função que não é dele”, defende a psicóloga.
Coparentalidade saudável
Novamente, a especialista pontua a respeito dos pais terem a consciência de “construir uma forma de comunicação que não transforme a criança ou adolescente em campo de batalha”. Mesmo que o ex-casal não mantenha uma boa relação após a separação, necessita criar uma coparentalidade saudável em prol dos filhos.

A expert enfatiza sobre a coparentalidade saudável trazer como cerne: “A relação conjugal terminou, mas a responsabilidade parental permanece”. Em situações de grande conflito, ela orienta estabelecer limites claros, comunicação objetiva e acordos previsíveis.
“A pergunta que precisa orientar as decisões deixa de ser ‘quem está certo?’ e passa a ser ‘o que essa criança precisa de nós agora?’. Quando os adultos conseguem fazer essa mudança, já começam a retirar o filho do centro do conflito”, recomenda a psicóloga.
Exposição na internet
Quanto ao embate entre Luana Piovani e Pedro Scooby, a treta entre os ex-casal famoso teve um plus: exposição na internet. A especialista ressalta que há uma “diferença importante” quando o conflito sai do espaço privado e ganha as redes sociais.

A expert salienta que os duelos expostos na web deixam de ser apenas uma questão familiar e passam a ter plateia, comentários, julgamentos, compartilhamentos e uma memória digital permanecendo por anos. “A criança, os amigos dela e a escola podem ter acesso ao conflito. Isso tende a gerar vergonha, constrangimento e uma sensação de exposição sobre uma história que também pertence a ela, mas que ela não escolheu tornar pública”, acentua Cláudia.
Ao finalizar, a psicóloga instrui os pais ou responsáveis por crianças e adolescentes a adotarem uma prática: “Antes de publicar algo sobre o outro genitor ou responsável, talvez seja importante fazer uma pergunta muito simples: ‘Como meu filho se sentiria lendo isso hoje ou daqui a alguns anos?”.
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