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Medula óssea do crânio pode estar ligada à dor crônica, aponta estudo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Medula óssea do crânio pode estar ligada à dor crônica, aponta estudo

Uma região pouco explorada do corpo pode estar envolvida na dor crônica. Um estudo liderado por pesquisadores da Harvard Medical School indica que a medula óssea do crânio apresenta sinais de atividade imune aumentada em pessoas com dor persistente.

Os resultados foram publicados nessa terça-feira (2/9) na revista Science Translational Medicine. A análise sugere que essa resposta pode ter relação com a intensidade da dor e com sintomas como ansiedade e depressão.

O que os exames mostram

Os pesquisadores analisaram exames de imagem de 125 adultos com dor crônica, sendo 88 com dor nas costas e 37 com osteoartrite no joelho, e compararam com 22 pessoas sem dor.

Os participantes com dor apresentaram níveis mais altos de uma proteína chamada TSPO em diferentes regiões do crânio, com destaque para as áreas frontal e parietal. A proteína está associada à atividade de células do sistema imune.

Os sinais mais elevados também apareceram associados a relatos de dor mais intensa e maior interferência nas atividades do dia a dia.

Ligação com o sistema imune

A medula óssea do crânio produz células de defesa. Estudos anteriores já tinham identificado pequenos canais que conectam essa região ao revestimento do cérebro, criando uma via direta de comunicação. Agora, os dados indicam que essa conexão pode participar de processos ligados à dor crônica.

“Descobertas em outras doenças sugerem que a ativação da medula óssea do crânio pode fazer parte de uma resposta compartilhada por diferentes condições”, afirmam os autores.

Para aprofundar a investigação, os pesquisadores também analisaram tecido do crânio de dois doadores. Um deles tinha histórico de dor crônica. Nesse caso, a medula apresentou mais que o dobro de células em comparação com o controle, além de maior proporção de células associadas à proteína TSPO.

Apesar do número reduzido de amostras, os achados seguem a mesma tendência observada nos exames de imagem.

O que ainda não se sabe

Os pesquisadores destacam que o estudo não permite afirmar se a atividade da medula do crânio causa a dor ou se é uma consequência dela. A hipótese é que sinais do cérebro ativem células imunes nessa região, que por sua vez podem contribuir para processos inflamatórios ligados à dor.

A equipe aponta que novas pesquisas devem investigar esse mecanismo e avaliar se a região pode se tornar alvo de futuras abordagens terapêuticas.

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