O líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, Rogério Marinho (PL-RN), chamou nesta quinta-feira (3/9) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “mal-intencionado” e “ladrão da esperança” ao rebater uma acusação do petista sobre a votação da PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1.
Lula havia afirmado que a oposição, sob o comando do coordenador da campanha de seu adversário, atuou para impedir que a proposta fosse analisada pelo plenário do Senado na quarta-feira (2/9). O presidente não citou Marinho nominalmente na publicação.
Na resposta, o senador acusou Lula de enganar a população ao defender a redução da jornada sem corte de salário e afirmou que a medida teria efeitos sobre preços, emprego e informalidade.
“Lula, ou você é burro ou mal-intencionado. Como você engana a população há mais de 40 anos, sei que burro não é. Então, posso afirmar com toda a certeza que é mal-intencionado”, escreveu Rogério Marinho em uma rede social.
O senador chamou a proposta defendida por Lula de “golpe da picanha 2” e argumentou que empresas e trabalhadores acabariam arcando com os efeitos da mudança.
“Você está aplicando o golpe da picanha 2, tentando fazer o povo acreditar que é possível reduzir a jornada sem redução de remuneração e que isso não terá consequências para todos. O custo da sua irresponsabilidade será pago pelo trabalhador, que vai encontrar preços mais altos, empresas fechando, desemprego e um empurrão para a informalidade”, afirmou.
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Marinho encerrou a publicação acusando Lula de ter “um projeto de poder e não um projeto de país” e o chamou de “ladrão da esperança”.
A resposta veio depois de Lula cobrar publicamente a votação da PEC no plenário e atribuir à oposição uma atuação para impedir o avanço da proposta.
“Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6×1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial, atuava para impedir o avanço da pauta”, escreveu o petista.
Lula também afirmou que a redução da jornada permitiria aos trabalhadores ter um dia a mais de descanso sem perda salarial. Para o presidente, os argumentos de que a mudança prejudicaria a economia repetem críticas feitas no passado a outros direitos trabalhistas.
A PEC foi aprovada na quarta pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e poderia seguir para o plenário. Marinho foi um dos quatro senadores que votaram contra o texto na comissão, ao lado de Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagatoli (PL-RO).
A votação no plenário, no entanto, não ocorreu. Esta é a última semana de esforço concentrado prevista no Senado antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

