Um homem investigado por se passar pelo técnico do Grêmio, Luís Castro, para aplicar golpes contra jogadores profissionais foi preso nesta quarta-feira (2/9), durante a Operação Falso 9, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS) com apoio da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ).
Segundo as investigações, o suspeito utilizava a fotografia do treinador e uma linha telefônica registrada em nome de outra pessoa para abordar atletas pelo WhatsApp. Um dos jogadores chegou a transferir R$ 22,5 mil ao golpista após acreditar que estava ajudando na compra de cestas básicas para uma instituição social.
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A ação policial cumpre um mandado de prisão preventiva e dois de busca e apreensão e é realizada pela 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, com apoio da 126ª e da 143ª Delegacias de Polícia do Rio de Janeiro.
O golpe
As investigações começaram depois que a Polícia Civil do RS tomou conhecimento de que um suspeito havia entrado em contato, pelo WhatsApp, com quatro atletas do elenco profissional do Grêmio.
Para se passar pelo técnico da equipe, ele utilizava uma linha telefônica registrada em nome de outra pessoa e a fotografia do treinador. Em uma das primeiras abordagens, orientou os jogadores a chegarem mais cedo ao centro de treinamento no dia seguinte para, segundo ele, “bater um papo”.
Com um dos atletas, a conversa se estendeu por vários dias. O falso técnico perguntava sobre a rotina, a família e o desempenho do jogador nos treinos, além de elogiar sua dedicação.
Em determinado momento, pediu que o atleta não comentasse o contato com os demais companheiros de elenco. Segundo a investigação, a estratégia tinha como objetivo isolar a vítima e impedir que outros jogadores percebessem a fraude.
Depois de estabelecer uma relação de confiança, o suspeito fez o pedido financeiro. Ele afirmou que ajudava um grupo social do RJ por meio da doação de cestas básicas. Disse ainda que a iniciativa já teria contado com a participação de outros jogadores de clubes pelos quais havia passado e perguntou se o atleta também gostaria de contribuir. O jogador aceitou.
O golpista então afirmou que seriam necessárias 300 cestas básicas, ao custo de R$ 75 cada, totalizando R$ 22,5 mil. Em seguida, enviou uma chave Pix aleatória e disse que a conta pertencia à suposta responsável pela instituição.
A primeira tentativa de transferência não foi concluída porque ultrapassava o limite diário de movimentação bancária do atleta. O suspeito, então, combinou que o pagamento seria feito na manhã seguinte e voltou a pedir sigilo.
Em 7 de maio de 2026, o jogador realizou a transferência de R$ 22,5 mil por Pix. Segundo a investigação, o dinheiro foi depositado em uma conta bancária controlada pela organização criminosa.
Na sequência, o suspeito enviou ao atleta uma suposta confirmação de recebimento das cestas básicas pela instituição e deu a fraude como concluída.
Golpe de R$ 50 mil
Ainda no mesmo dia, porém, o suspeito tentou aumentar o prejuízo.
Ele afirmou que outro jogador, que estaria “fora do Brasil” e impossibilitado de responder por causa do fuso horário, também queria contribuir com 600 cestas básicas, no valor de R$ 50 mil.
O falso técnico pediu que a vítima adiantasse o dinheiro, com a promessa de ressarcimento posterior.
Para convencer o atleta, o suspeito chegou a mencionar a suposta participação de outros jogadores do elenco na campanha. A segunda transferência, no entanto, não foi realizada porque o valor também ultrapassava o limite diário da conta da vítima.
Outros jogadores
Após representação da autoridade policial, a Justiça autorizou o afastamento dos sigilos bancário e telemático dos investigados. A medida permitiu aos policiais reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro e identificar conexões utilizadas no esquema.
A análise apontou que o suspeito atuava a partir de uma estrutura localizada em Itaperuna, no interior do Rio de Janeiro. Segundo a investigação, os valores obtidos com os golpes eram inicialmente depositados em contas de moradores da região até chegar à esfera do investigado.
O monitoramento também revelou contatos com diversos outros jogadores de futebol de expressão nacional e internacional. Entre eles estão atletas vinculados a clubes de outros estados brasileiros e a uma equipe europeia.
O suspeito também teria mantido contato com um artista brasileiro de grande popularidade.
Para a Polícia Civil, os contatos indicam que havia um mapeamento sistemático de possíveis vítimas no meio esportivo e artístico.
O suspeito
De acordo com informações compartilhadas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, o investigado, que não teve a identidade divulgada, já teve passagens por clubes de futebol, o que, segundo os investigadores, teria facilitado a atuação no meio esportivo.
Ele também foi preso em flagrante em 2024 por um crime semelhante.
A investigação aponta ainda que o golpe tinha como alvo preferencial atletas profissionais, explorando a relação de confiança existente entre jogadores e integrantes das comissões técnicas.
Dos quatro atletas do mesmo elenco abordados pelo perfil falso, um teve prejuízo de R$ 22,5 mil. Outros três receberam as mensagens, mas não realizaram transferências.
A Polícia Civil continua investigando as abordagens feitas a outros jogadores e ao artista para verificar se houve novas vítimas e prejuízos em outros estados.

