Para testar a eficácia de seis medicamentos indicados no tratamento de insuficiência cardíaca, que estão atualmente em fase de pesquisa, um estudo conduzido pelo professor Shugo Tohyama, do Departamento de Medicina Regenerativa Clínica da Universidade de Saúde Fujita, no Japão, e por seu assistente sênior Hidenori Tani, desenvolveu modelos laboratoriais de tecidos cardiomiócitos (CMs) — células do músculo cardíaco — a partir de células-tronco pluripotentes induzidas humanas (hiPSCs) em placas de Petri.
Geralmente, os estudos de doenças ou testes para novos medicamentos são realizados com animais ou obtidos em biópsias humanas antes dos ensaios clínicos. Porém, no teste animal, não se tem a mesma reação que na doença em um humano, e na biópsia o acesso é mais difícil.
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O estudo foi publicado na revista Cell Stem Cell em 6 de agosto de 2026, e acredita-se que, com as descobertas, os testes executados com tecidos cultivados em laboratório, com células-tronco reprogramadas de células humanas, podem ser mais precisos e confiáveis.
Segundo Tohyama, a equipe de pesquisa induziu cardiomiócitos a partir de hiPSCs, criando tecidos cardíacos 3D maduros, com base em colágeno derivado de corações suínos — algo que já havia sido feito anteriormente no laboratório — para cultivar tecidos in vitro utilizando altos níveis de ácidos graxos e L-NAME — um composto químico inibidor não seletivo da enzima óxido nítrico sintase. Além de células de suporte, como células epicárdicas, células endoteliais (CEs) e macrófagos.
Para testar os medicamentos, também foi criado um modelo de tecido cardíaco humano com ICFEp. “Durante os esforços para ajustar as concentrações de glicose e ácidos graxos no meio de cultura para promover a maturação do tecido cardíaco, descobrimos que o excesso de ácidos graxos afetava negativamente a capacidade de dilatação dos tecidos cardíacos”, explica Tani, primeiro autor do estudo, em comunicado.
O que é a ICFEp
Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada (ICFEp) é uma falha no relaxamento do coração (diástole) com contração normal (sístole). A doença afeta cerca de 30 milhões de pessoas no mundo e conta com poucas opções de tratamento eficazes, sendo que algumas apresentam resultados insatisfatórios.
Análise dos medicamentos para insuficiência cardíaca
Usando o modelo ICFEp criado no laboratório, os cientistas testaram a eficácia dos medicamentos e descobriram que, dentre eles, a empagliflozina, um medicamento inibidor do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2i) e antidiabético, foi o único capaz de prevenir parcialmente o desenvolvimento de insuficiência cardíaca diastólica.
Os autores do estudo acreditam que o modelo de ICFEp humano estabelecido no estudo pode ser aplicado para desvendar a fisiopatologia da condição e para pesquisas sobre envelhecimento.
“Espera-se que esse estudo sirva como base de pesquisa que contribuirá para o desenvolvimento de novos agentes terapêuticos, a avaliação da eficácia de medicamentos e a medicina personalizada para pacientes individuais, abrindo caminho para futuras pesquisas”, conclui Tohyama, em comunciado.

