Integrantes do núcleo duro da campanha do presidente Lula admitem, nos bastidores, que a divulgação do sigilo das conversas entre o ministro do STF Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro pode trazer efeitos negativos para a imagem do governo e do próprio presidente.
Aliados de Lula avaliam que uma possível associação entre o presidente e Moraes pode se tornar um problema para a campanha petista, sobretudo diante da repercussão do episódio.
Esses mesmos aliados reconhecem que Moraes teve papel fundamental na contenção das tentativas de ruptura institucional após as eleições de 2022. Eles afirmam, no entanto, que o cenário mudou e que, neste momento, é necessário evitar qualquer vinculação entre o petista e o ministro.




Presidente Lula durante audiência sobre bets no Palácio do Planalto
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.fotoDiante desse cenário, integrantes do núcleo mais próximo da campanha se reuniram no final da manhã desta quarta-feira (2/9) para avaliar os possíveis impactos e respostas à crise no STF.
Leia também
Segundo apuração da coluna, Lula tem sido orientado a manter o discurso de que o episódio deve ser investigado independentemente de quem esteja envolvido.
A recomendação é evitar qualquer posicionamento que possa ser interpretado como defesa de pessoas específicas relacionadas ao caso.
O petista, no entanto, não pretende apoiar pedidos de impeachment contra André Mendonça, apesar das críticas direcionadas ao ministro.
A estratégia será defender que o sigilo de todos os investigados seja quebrado, seguindo a mesma linha adotada por aliados do presidente, como o senador Jaques Wagner.
A avaliação interna é de que as revelações sobre conversas e encontros envolvendo o ministro do Supremo podem fortalecer discursos da direita contra a Corte e, consequentemente, favorecer adversários políticos de Lula.

