O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia está disposta a receber a ajuda de qualquer país interessado em contribuir para uma solução para a guerra na Ucrânia e reafirmou que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pode viajar a Moscou para negociar.
Segundo o governo russo, porém, uma eventual cúpula entre os líderes depende da conclusão de acordos prévios.
“Acolhemos com satisfação os esforços de qualquer país que possa dar qualquer contribuição [para a resolução do conflito], mas até agora o regime de Kiev tem se mostrado, por assim dizer, relutante em ser influenciado por quaisquer mediadores”, afirmou.
A declaração ocorre em meio às tentativas de diferentes países de atuar como intermediários nas negociações para encerrar a guerra, que já entrou em seu quinto ano.
Segundo Moscou, a posição russa sobre uma eventual reunião com Zelensky permanece inalterada. O presidente Vladimir Putin já havia afirmado que, caso o líder ucraniano queira negociar, poderá viajar à capital russa.
“O presidente [Vladimir] Putin disse que, se [Vladimir] Zelensky quiser negociar, pode vir a Moscou”, ressaltou Peskov.





Putin ameaça retaliar UE caso bloco apreenda navios russos
Gavriil Grigorov/TASSPresidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky
Antonio Masiello/Getty ImagesPresidente da Rússia, Vladimir Putin
ReproduçãoVolodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia
Tom Nicholson/Getty ImagesA possibilidade de uma reunião de cúpula, no entanto, é tratada de maneira diferente por Moscou. Segundo a declaração, antes de um encontro trilateral, seria necessário finalizar alguns entendimentos, que precisariam ser construídos durante negociações complexas entre as partes.
“Se estivermos falando de uma [cúpula trilateral], é necessário apenas finalizar alguns acordos. E os próprios acordos, é claro, precisam ser elaborados durante negociações muito complexas”, afirmou. “Nada mudou.”
Zelensky propôs encontro presencial
- A posição russa remonta a uma proposta feita por Zelensky em junho.
- Em uma carta aberta dirigida a Putin, o presidente ucraniano propôs um encontro presencial entre os dois líderes para discutir o fim da guerra e um cessar-fogo total.
- Na ocasião, Zelensky defendeu que a reunião ocorresse fora da Rússia ou da Ucrânia e citou países como Suíça, Turquia e nações do mundo árabe como possíveis locais para negociações.
- A proposta, porém, não foi imediatamente aceita por Putin.
- O russo afirmou que não via, naquele momento, motivos para um encontro presencial com Zelensky.
- Ele ainda criticou a forma como o documento foi redigido e colocou em dúvida a disposição real do líder ucraniano para negociar.
Leia também
A posição apresentada agora pelo Kremlin é de que mediadores internacionais são bem-vindos, desde que possam contribuir efetivamente para a resolução do conflito.
Os países continuam trocando acusações sobre a responsabilidade pela falta de avanços nas negociações. Putin também já afirmou que propostas apresentadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderiam contribuir para o fim dos combates caso Kiev estivesse disposta a fazer concessões.

