Uma petição que reúne políticos, intelectuais e artistas foi aberta no site Change.org com o objetivo de tornar o presidente da Argentina, Javier Milei, persona non grata em Paris. Ele deve viajar à capital francesa no final de setembro, para participar do evento Argentina Week Paris, que tem como objetivo atrair capital europeu.
“Solicitamos à Câmara Municipal de Paris que declare o presidente argentino persona non grata em nossa cidade. Após quase três anos no cargo, as políticas de austeridade radical de Javier Milei estão pesando muito sobre a sociedade argentina”, diz a petição.
A petição pede ainda ao Conselho de Paris e a seu prefeito, Emmanuel Grégoire, que seja recusada qualquer recepção oficial, distinção ou evento institucional em sua homenagem durante a estadia e que “o respeito irrepreensível e estrito dos direitos humanos e sua solidariedade com as lutas democráticas da sociedade argentina” sejam reafirmados publicamente.
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Entre outras justificativas, a petição lista que, com Milei à frente do país, houve queda no poder de compra e no consumo das famílias, demissões massivas de servidores públicos, recuo do emprego formal e cortes drásticos nos serviços públicos que afetaram gravemente o funcionamento das universidades públicas, da pesquisa, da educação, da cultura e dos hospitais, além da recessão que atinge as empresas não vinculadas às matérias-primas ou ao setor financeiro.
Polêmica da Casa da Argentina
A petição cita ainda escândalos de corrupção, ataques aos direitos das mulheres, repressão policial e, especialmente, o caso da Casa da Argentina, localizada na Cité Internationale Universitaire de Paris.
Segundo o documento, desde a nomeação, em 2024, de um diretor próximo ao presidente, Santiago Muzio, a Casa foi palco da expulsão de residentes por motivos ideológicos, o que também teria levado várias casas do Japão, Canadá, Alemanha e Dinamarca, por exemplo, a suspender os intercâmbios com ela.
A própria prefeitura de Paris já solicitou uma investigação sobre o caso ao chanceler francês, Jean-Noël Barrot. Em carta, a Câmara Municipal expressou preocupação com as “decisões de expulsão” de moradores, a remoção de uma placa em homenagem aos desaparecidos durante a ditadura e a realização de reuniões que “disseminam ideologias de extrema-direita.
Em coletiva de imprensa, nesta semana, Barrot se manifestou publicamente sobre a polêmica: “Estamos em negociações contínuas com as autoridades argentinas e seus representantes em Paris”, afirmou.
Algumas personalidades que assinaram a petição
- Nahuel Pérez Biscayart: ator argentino radicado na França, protagonizou o filme premiado em Cannes 120 Batimentos por Minuto;
- Sophie Thonon: advogada de famílias de franceses desaparecidos durante a ditadura argentina;
- Eduardo Makaroff: músico e cofundador do Gotan Project, grupo que revolucionou a música ao fundir tango com música eletrônica;
- Pierre Dardot: filósofo francês, autor de A Nova Razão do Mundo, Comum;
- Santiago Amigorena: roteirista, diretor e escritor;
- Caryl Férey: aclamado escritor francês, entre outros.

