Belo Horizonte – As câmeras corporais deixaram de ser um debate restrito à segurança pública e se transformaram em um dos temas centrais da campanha ao governo de Minas Gerais. Enquanto Cleitinho (Republicanos) promete acabar com o uso dos equipamentos pela Polícia Militar, adversários defendem desde a ampliação da tecnologia até modelos intermediários, tornando o tema uma das principais diferenças entre os projetos de segurança apresentados aos eleitores.
O tema ganhou força após o senador e candidato Cleitinho Azevedo (Republicanos) declarar, durante o debate realizado pela Band Minas em meados de agosto, que os policiais mineiros não usariam câmeras corporais caso ele fosse eleito.
O posicionamento repercutiu nas redes sociais do candidato do Republicanos, dividindo seu público e gerando mais críticas do que de costume. Sob pressão Cleitinho chegou a defender que todos os agentes públicos usem o equipamento.
Diferenças e semelhanças
- Cleitinho: aposta no eleitorado policial e no discurso de autoridade
- Roscoe: tenta representar a direita pró-transparência, semelhante ao modelo defendido por Tarcísio após rever sua posição em SP.
- Kalil: procura um meio-termo (estrutura antes da câmera), evitando ser contra a tecnologia
- Gabriel e Patrus: defendem o modelo, que tem apoio entre o eleitorado dos dois
O uso de câmeras por policiais é defendido pela maioria dos demais postulantes ao governo mineiro. O deputado federal Patrus Ananias (PT) é um dos que defende a pauta, entre outras medidas para o setor. O petista quer a implementação progressivas da tecnologia nas forças de segurança, inclusive nas unidades especializadas, com protocolos para uso e proteção do conteúdo captado.
Apesar de não se opor ao uso, Alexandre Kalil (PDT) defende que os policiais, hoje, têm outras prioridades. “Antes de olhar detalhes: ‘vai por ou não câmera’. Nós precisamos de faxineira; precisamos de gasolina; ter arma; treinamento, que foi suspenso em 2025”, disse ele ao Metrópoles.
Flávio Roscoe defende câmeras
O candidato bolsonarista Flávio Roscoe (PL) defende o uso das câmeras pelos agentes de segurança, alegando ser “uma proteção para o agente, mas que não precisa estar ligada 24h”.
Já Gabriel Azevedo (MDB) se põe favorável à medida e defende que elas gravem ininterruptamente durante o serviço operacional.
“A gravação deve ser automática e ininterrupta, com acesso auditável, armazenamento seguro e proteção de dados. Exceções estritas para inteligência e situações de intimidade”, disse o candidato do MDB.
R$ 6,4 milhões gastos com câmeras
O governo de Minas Gerais, hoje comandado pelo candidato à reeleição Mateus Simões (PSD), comprou cerca de mil câmeras corporais e outras 600 foram adquiridas com recursos do Fundo Especial do Ministério Público (Funemp), ao todo o equipamento custou quase R$ 6,5 milhões do dinheiro público.

