O policial civil Marcos Vinicius de Souza Melo (imagem em destaque), preso sob suspeita de integrar um esquema que liberava cargas de eletrônicos após o pagamento de propina, ainda ocupava formalmente um dos principais cargos da Segurança Urbana de São Sebastião, no litoral paulista, quando a Operação Merx foi deflagrada, na sexta-feira (28/8).
Marcos era secretário adjunto de Segurança Urbana, o número 2 da pasta. Ele pediu exoneração no último dia 25, três dias antes da operação conjunta do Grupo de Atuação especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Corregedoria da Polícia Civil.







Prefeito exonerou então secretário-adjunto de Segurança Urbana
Reprodução/Diário Oficial de São SebastiãoEm rede social, policial incluiu cargo assumido no litoral
Reprodução/InstagramEm mensagem, advogado fala sobre pagamento de "acerto" com policiais
Reprodução/MPSPAdvogado Sidiclei da Costa Almeida
Reprodução/MPSPInvestigador José Adriano Pereira da Silva Nishi
Reprodução/MPSPPolicial Civil Bruno Moreno dos Santos
Reprodução/MPSPViatura escolta carga em rodovia de SP
Reprodução/MPSPCarro a Polícia Civil durante escolta de carga de descaminho
Reprodução/MPSPParte da propina era paga em dinheiro vivo
Reprodução/MPSPPolicial civil Vagner Ramalho
Reprodução/MPSPEmpresário Thiago Marcel Magnabosco
Reprodução/InstagramPolicial civil foi preso em ação conjunta do Gaeco e Corregedoria da instituição
Reprodução/InstagramA coluna apurou que a portaria é datada da terça-feira (veja galeria acima), mas só foi publicada na sexta (28/8), mesmo dia em que o policial foi preso. A Prefeitura afirma que a saída foi solicitada por motivos particulares e antes da operação. Em junho, o governo paulista havia autorizado o afastamento do investigador da Polícia Civil, com prejuízo dos vencimentos, justamente para exercer o cargo de secretário adjunto em São Sebastião.
A defesa dele não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.
Propina e cargas
Os crimes investigados são anteriores à passagem de Marcos pela prefeitura.
Segundo o Gaeco, quando atuava no 2º DP de Cotia, na Grande São Paulo, ele aparece como responsável por uma ocorrência na qual foram formalmente apreendidos apenas 250 celulares, embora conversas obtidas pela investigação indiquem que o caminhão transportava mais de 4 mil aparelhos. O suposto “acerto” para liberação da carga teria alcançado R$ 700 mil.
Depois, Marcos foi removido para o 1º DP de Barueri, ainda na região metropolitana. Dezesseis dias mais tarde, segundo os promotores, outra carga seria alvo do mesmo núcleo. Para o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a sequência sugere “continuidade da atuação” do grupo em uma nova circunscrição.
Marcos também já aparecia em outra investigação da Corregedoria sobre pedido de R$ 900 mil para devolver celulares. Em uma diligência na delegacia, foram encontrados 49 aparelhos lacrados dentro de um saco de lixo, outros seis sobre sua mesa, além de R$ 19.577 e armas de terceiros no cofre da sala do então investigador-chefe.
Carros, barcos e cinco CNPJs
O patrimônio do policial também chamou a atenção do Gaeco. Em março deste ano, antes de assumir a prefeitura, Marcos recebia R$ 8.523,77 brutos como investigador. Em seu nome apareciam um Toyota Corolla e duas embarcações. Uma empresa da qual era sócio tinha ainda um Ford Cargo e um Iveco Daily.
Os promotores localizaram ainda uma Volkswagen Amarok 2017/2018 registrada em nome da ex-esposa, mas vinculada a endereço associado ao policial.
Leia também
Marcos figurava, além disso, no quadro societário de cinco empresas, ligadas a atividades como transporte de cargas, administração de imóveis, segurança eletrônica e apoio administrativo. O Gaeco aponta sucessivas alterações contratuais justamente após os fatos investigados e afirma que a movimentação societária indica risco de “dissipação e ocultação patrimonial”.
Na Operação Merx, também foram presos os policiais Bruno Moreno dos Santos e José Adriano Pereira da Silva Nishi, o advogado Sidiclei da Costa Almeida e o empresário Jonathan Renan Vieira. O policial Vagner Ramalho e o empresário Thiago Marcel Magnabosco, apontado como líder do grupo que transportava os eletrônicos, continuavam foragidos até a publicação desta reportagem.
A defesa deles não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.

