Você decide engravidar e começa a pensar em exames, consultas e possíveis tratamentos. Mas parte desse processo começa antes disso, no dia a dia, com boas escolhas relacionadas à alimentação, à qualidade do sono e ao estilo de vida, que ajudam a preparar o organismo para a gestação.
Esse preparo não depende de um alimento isolado, mas do conjunto de hábitos. A ginecologista Michele Panzan, especialista em reprodução humana, do Grupo Huntington, explica que a fertilidade está ligada ao funcionamento do corpo como um todo.
“Óvulos e espermatozoides passam por processos de desenvolvimento antes da concepção. Por isso, os hábitos adotados nos meses anteriores também fazem parte desse cuidado”, afirma.
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É nesse período antes das tentativas que entram os chamados cuidados pré-concepcionais. Ajustes na alimentação, prática de atividade física, qualidade do sono e controle de doenças podem melhorar as condições do organismo para a concepção.
Alimentação e funcionamento do organismo
Uma dieta equilibrada contribui para manter o metabolismo e o sistema hormonal em condições adequadas. Manter uma alimentação baseadas em frutas, verduras, leguminosas, grãos integrais, azeite e peixes está associado a melhores indicadores de saúde.
A nutricionista Bianca Gonçales, da CliNutri, explica que alguns nutrientes participam diretamente desses processos. Folato, ferro, vitamina B12, vitamina D e ômega 3 estão entre os principais.
“Eles atuam na formação das células reprodutivas, no transporte de oxigênio e no controle de processos inflamatórios”, diz.
Hábitos que ajudam a preparar o organismo antes de engravidar
- Priorizar alimentos in natura e reduzir o consumo de ultraprocessados.
- Consumir frutas, verduras e legumes variados ao longo da semana.
- Manter boas fontes de proteínas e gorduras saudáveis na alimentação.
- Dormir adequadamente e praticar atividade física com regularidade.
- Evitar o cigarro, moderar o consumo de álcool e manter doenças preexistentes acompanhadas.
Na prática, esses nutrientes estão presentes em alimentos comuns do dia a dia. Verduras verde-escuras, feijão, lentilha e grão-de-bico são fontes importantes. Carnes e ovos contribuem com ferro e vitamina B12. Peixes como sardinha e salmão fornecem ômega 3, enquanto frutas cítricas ajudam na absorção de ferro.
Esse conjunto se aproxima do padrão da dieta mediterrânea — frequentemente associado à saúde reprodutiva. “O mais importante é priorizar alimentos in natura, fibras, gorduras boas e antioxidantes”, explica a nutricionista.
Por outro lado, hábitos alimentares que incluem ultraprocessados, excesso de açúcar, bebidas alcoólicas e dietas muito restritivas podem interferir nesses mecanismos. “Dietas com baixa ingestão de proteína ou energia insuficiente também podem prejudicar a formação da gestação”, acrescenta.

Mais do que o prato
O cuidado com a fertilidade não se limita à alimentação. O ginecologista Alexandre Pupo Nogueira, do Hospital Sírio Libanês, ressalta que o peso corporal e o equilíbrio metabólico também têm papel relevante.
“O excesso de gordura corporal pode desregular hormônios e aumentar processos inflamatórios, o que interfere na ovulação e na implantação do embrião”, afirma.
Ele também orienta ajustes na rotina, como reduzir o consumo de álcool, moderar a cafeína e evitar ultraprocessados. Outro ponto importante é que a obesidade está associada a alterações hormonais que podem afetar a fertilidade. Por isso, o acompanhamento médico ajuda a avaliar cada caso e orientar o melhor caminho.

