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Índia busca ampliar comércio com Brasil para alcançar meta bilionária

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Índia busca ampliar comércio com Brasil para alcançar meta bilionária

Brasil e Índia avançaram, nesta semana, em novos acordos para ampliar o comércio bilateral. A intenção é elevar para R$ 20 bilhões a corrente comercial entre os dois países até quatro anos. Para isso, uma delegação indiana esteve no Brasil nos últimos dias para discutir estratégias e buscar novas oportunidades de negócios que ajudem a alcançar a meta.

A comitiva foi presidida pelo secretário de Comércio da Índia, Rajesh Agrawal, e era formada ainda por representantes de 19 empresas. O grupo reunia setores variados, incluindo farmacêutico, alimentos, infraestrutura, mineração e o setor agrícola. O objetivo da visita, conforme antecipou o Metrópoles, era destravar a expansão do comércios.

A ambiciosa meta quase dobraria a atual corrente comercial entre os dois países, estimada em R$ 15 bilhões.

Para alcançar esse patamar, contudo, os governos brasileiro e indiano entendem que será necessário ampliar as linhas tarifárias negociadas entre os países, aumentando a variedade de produtos brasileiros e indianos que podem ser importados e exportados.

Por isso, Índia e Brasil assinaram um memorando de entendimento (MoU) entre Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e a parte indiana. O acordo prevê a troca de informações e cria uma base institucional para o desenvolvimento de projetos conjuntos de atração de investimentos e facilitação de negócios bilaterais.

A iniciativa é atrativa para empresas dos dois países.


Relação comercial entre Brasil e Índia

  • Atualmente, a Índia é o décimo maior parceiro comercial do Brasil.
  • Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a balança comercial entre os dois países no último ano ficou em US$ 15,2 bilhões.
  • O número representou um crescimento de 25% em relação a 2024.
  • Em 2025, o Brasil exportou US$ 6,9 bilhões para a Índia. Os principais produtos brasileiros vendidos foram petróleo, gorduras e óleos vegetais, açúcares, mineiro de ferro e algodão bruto.
  • Enquanto isso, o país importou US$ 8,3 bilhões da Índia.

Empresas indianas de olho no Brasil

Em entrevista à imprensa, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que o comércio entre os dois países já teve incremento de 20% neste ano, que foi alavancada após visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Nova Déli em fevereiro deste ano.

A visita ao Brasil nesta semana deve impulsionar ainda mais a atração de investimentos. Ao Metrópoles, membros do governo brasileiro informaram que a visita teve a intenção de mostrar a empresários e investidores indianos as possibilidades no mercado brasileiro, além de tentar criar oportunidades para futuras parcerias ou investimentos.

Companhias em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais foram visitadas pelo grupo. O nordeste também está no radar dos indianos, que já destinam investimentos na região.

Um dos maiores investimentos da Índia no Brasil deve começar no Rio Grande do Norte, onde o grupo indiano Fomento já aplicou mais de US$ 450 milhões para a construção de uma mina focada na extração de minério de ferro. Ao todo, o valor total do investimento gira na casa dos R$ 2,5 bilhões.

Além da extração do minério, o grupo indiano também montou uma estrutura logística para a exportação do material. Para isso, a Fomento venceu um leilão de concessão de parte do porto de Natal, por onde a produção deve ser escoada.

Na visita ao Brasil, o diretor executivo da Fomento, Anuj Timblo, afirmou que a previsão é de que as operações comecem em 2029, com a expectativa de uma produção média de 2 milhões de toneladas por ano. 

Parceria estratégica e política

Embora parceiros de longa data, a agenda dos dois países também converge na figura de suas atuais lideranças. Lula e o premiê indiano, Narendra Modi, compartilham objetivos semelhantes e são entusiastas de pautas comuns, como os temas relacionados ao meio ambiente, a defesa do multilateralismo, maior participação do Sul Global na governança internacional.

Em entrevista, Márcio Elias Rosa reforçou a integração entre os dois países. Com recentes acordos fechados na área de minerais críticos, energia e biocombustíveis, o ministro destacou que a parceria entre os dois países vai além do comércio, mas também é considerada uma aliança política.

“A Índia é estratégica também porque nós falando das duas maiores lideranças democráticas no Sul Global. Com um grande compromisso de valor social, inclusão, processo de inclusão social e de distribuição de renda. Ou seja, a Índia e o Brasil formam hoje uma aliança que eu digo que é estratégica do ponto de vista econômico, mas também do ponto de vista político“, disse Elias.

A aproximação ganha ainda mais relevância no atual contexto político mundial de maior pressão tarifária dos Estados Unidos. Membros do governo brasileiro avaliam que busca por novos parceiros pode ajudar a diversificar a pauta econômica brasileira, além reduzir a exposição à política comercial norte-americana.

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