Um dos quatro policiais militares denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por suposta participação em um esquema de segurança para dirigentes ligados ao PCC tinha R$ 1,18 milhão em dinheiro vivo guardado dentro de uma mala em casa, segundo a denúncia. O homem, um terceiro-sargento reformado da PM, não está mais na ativa.
O dinheiro foi encontrado em 4 de fevereiro deste ano, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. A quantia estava dividida em R$ 700 mil em notas de R$ 200 e R$ 480 mil em notas de R$ 100. O valor foi apreendido e está depositado judicialmente.
O policial ingressou na PM em 1992 e passou à inatividade em julho de 2020. Segundo o MPSP, mesmo depois de deixar a corporação, ele teria continuado ligado ao grupo e exercido uma função relacionada ao transporte e à movimentação de dinheiro.
PM teria papel no transporte do dinheiro
Segundo o MPSP, o terceiro-sargento não atuava apenas na segurança dos empresários. Ele seria responsável também por transportar, guardar e distribuir dinheiro do esquema.
Em depoimento, o próprio policial teria admitido que fazia o chamado “bordo”, transportando valores entre garagens da Transwolff e a região da Berrini, onde o dinheiro seria entregue a um carro-forte. A denúncia também afirma que ele repassava aos responsáveis pelo esquema os nomes dos policiais que trabalhavam em cada dia para que os pagamentos fossem feitos.
O Ministério Público cita ainda mensagens e ordens para que o policial buscasse dinheiro e realizasse pagamentos. Para a acusação, essas atividades mostram que ele teria uma função dentro da estrutura financeira do grupo, e não apenas na prestação de segurança.
Leia também
Entenda o caso
- Quatro policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por supostamente integrar um esquema de segurança particular para dirigentes da Transwolff e da UPBUS, empresas investigadas por ligação com o PCC.
- Entre os denunciados estão um tenente-coronel, um capitão, um segundo-sargento e um terceiro-sargento da reserva. Vários deles têm ligação com a ROTA.
- Os PMs teriam feito a segurança dos empresários em escalas organizadas e também recrutado outros policiais para participar dos serviços.
- Contrato de segurança começou com pagamentos de R$ 30.905 por mês e chegou a R$ 44.639,10 em janeiro de 2025.
- Valor aumentou cerca de 44% mesmo depois da Operação Fim da Linha, que investigou suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo a Transwolff e a UPBUS.
- Segundo a denúncia, os policiais teriam continuado no esquema mesmo após serem alertados sobre os vínculos dos empresários com o crime organizado.
- Os quatro são acusados de organização criminosa. Dois também respondem por exercício de comércio por oficial e um deles por lavagem de dinheiro.
- O MPSP pediu a manutenção da prisão preventiva de três policiais e a prisão do tenente-coronel. Os pedidos serão analisados pela Justiça Militar.
MPSP questiona origem do R$ 1,18 milhão
Para o Ministério Público, o valor encontrado na casa do policial é incompatível com a situação financeira dele. A investigação também analisou uma empresa registrada em nome do terceiro-sargento, mas, segundo a denúncia, não encontrou movimentações que justificassem a posse de uma quantia desse tamanho em dinheiro vivo.
O policial afirmou que a mala pertencia a um empresário para quem trabalhava e que apenas havia transportado o dinheiro de Bauru, no interior do estado, para a capital de São Paulo. O empresário também declarou que os valores seriam provenientes de seus negócios e de retiradas de lucro.
O MPSP, no entanto, não considera a explicação suficiente. Para a acusação, ainda não foi esclarecido por que o dinheiro estava na casa do policial, em vez de permanecer com o suposto proprietário, nem por que uma quantia tão alta era mantida em espécie.
O terceiro-sargento foi denunciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa. O MPSP também pediu que ele continue preso preventivamente e que, caso seja condenado, os R$ 1,18 milhão apreendidos sejam destinados aos cofres públicos. A denúncia ainda será analisada pela Justiça.

