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PL lança candidato a deputado que está na “lista suja” do trabalho escravo

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
PL lança candidato a deputado que está na “lista suja” do trabalho escravo

O Partido Liberal (PL) do Pará lançou um candidato que está na “lista suja” do trabalho escravo para disputar as eleições deste ano. O nome de Wanderley Dias Vieira, que concorre a deputado estadual, passou a constar na lista após fiscalização encontrar dois trabalhadores em situação análoga à de escravo em sua fazenda.

Além de ter tido o nome inscrito na “lista suja”, Wanderley Dias Vieira responde a uma ação na Justiça Federal relacionada ao caso. Denúncia do Ministério Público Federal (MPF) imputa a Wanderley o crime de reduzir alguém à condição análoga à de escravo e infrações à Lei de Produtos Agrotóxicos.

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Condição do quarto dos trabalhadores foi apontada em fiscalização
Fachada do quarto dos trabalhadores
Quarto dos trabalhadores
Metrópoles
Fiscalização encontrou condições irregulares no local
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Fiscalização encontrou condições irregulares no local

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Condição do quarto dos trabalhadores foi apontada em fiscalização
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Condição do quarto dos trabalhadores foi apontada em fiscalização

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Fachada do quarto dos trabalhadores
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Quarto dos trabalhadores

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O candidato nega a prática de qualquer crime ou ilícito. Em nota, a defesa de Wanderley afirmou que o caso permanece submetido ao devido processo legal, com pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, inexistindo decisão condenatória (veja mais abaixo).

A fiscalização que levou à inclusão do agora candidato a deputado na lista ocorreu em outubro de 2023. À época, Wanderley, que é conhecido como “Dr. Wanderley”, era vice-prefeito do município de Tucumã (PA).

Após denúncia anônima, a Polícia Federal (PF) junto a outros órgãos federais foram à fazenda de Wanderley, na cidade de São Félix do Xingu (PA), onde constataram as irregularidades denunciadas.

Conforme relato da PF, no local foram identificados dois trabalhadores em situação análoga à escravidão. Na propriedade, conforme a autoridade policial, havia habitações insalubres devido a falta de higienização do local, bem como diversos galões de produtos químicos abertos e entulhados.

Imagem colorida mostra o candidato Wanderley Dias Vieira | Metrópoles
O candidato a deputado Wanderley Dias Vieira

A inspeção do trabalho concluiu que dois trabalhadores que pernoitavam na fazenda estavam submetidos a condições degradantes de trabalho e vida. Ambos trabalhavam “na mais completa informalidade e sem o correspondente registro em livro, ficha ou sistema eletrônico competente”.

A “lista suja”, que é divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, consiste em um cadastro de empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à de escravo. A inclusão ocorre após decisão administrativa final relativa ao auto de infração.

A fazenda de Wanderley onde foram constatadas as irregularidades é vizinha à Terra Indígena Apyterewa. Durante a fiscalização, o Ibama autuou o proprietário por desmatamento à floresta nativa no interior do território indígena.

O que diz a defesa de candidato do PL

Em nota enviada por sua defesa, Wanderley Dias Vieira nega categoricamente a prática de qualquer crime ou ilícito que lhe esteja sendo atribuído. “Médico e empresário, com atuação de longa data na região, jamais foi condenado por este ou por qualquer outro crime, conforme certidões expedidas pela Justiça Estadual e pela Justiça Federal”, destacou.

A nota afirma que o caso permanece submetido ao devido processo legal, com pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, inexistindo decisão condenatória, de primeiro ou de segundo grau, tampouco trânsito em julgado, de modo que subsiste íntegra a presunção de inocência.

“Registre-se que a inclusão em cadastro administrativo (Cadastro de Empregadores, mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego) não constitui condenação judicial nem reconhecimento de prática criminosa, natureza reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 509”, frisou.

A defesa afirma que confia no Poder Judiciário e no regular processamento do caso. “O Dr. Wanderley continuará exercendo seu direito de defesa e apresentando perante a Justiça os elementos necessários para demonstrar sua versão dos fatos, reafirmando seu compromisso com a verdade, com o devido processo legal e com o direito da população de conhecer integralmente os acontecimentos”, completou.

A coluna procurou o diretório do Pará do PL, mas não houve retorno. O espaço segue aberto.

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