A disputa eleitoral em Pernambuco está páreo a páreo, mas, no mapa dos municípios, Raquel Lyra (PSD) sai na frente — e com folga. Levantamento do Metrópoles mostra apoio à governadora em 139 dos 184 municípios pernambucanos, contra 40 de João Campos (PSB). Outros cinco ainda aparecem como indefinidos.
Na prática, Raquel tem aliados em 75,5% das cidades, enquanto João alcança 21,7%. Confira no mapa:
A diferença de 99 municípios contrasta com a pesquisa Quaest dessa terça-feira (25/8), que mostra a governadora com 44% das intenções de voto e o ex-prefeito do Recife com 36% no primeiro turno. O instituto ouviu 1.302 eleitores, e a margem de erro é de três pontos percentuais.
Os prefeitos têm anunciado os apoios principalmente pelo Instagram. O Metrópoles reuniu as manifestações e também entrou em contato com os gestores para confirmar a posição nos casos em que não havia uma declaração pública clara.
O mapa mostra que nem a totalidade do PSB está fechado com João Campos. Dos 30 prefeitos do partido no levantamento, 17 apoiam João e 13 estão com Raquel. Entre os prefeitos do partido que estão ao lado da governadora estão Miruca, de Água Preta; Nego do Mercado, de Capoeiras; Corrinha de Geomarco, de Dormentes; Catharina Garziera, de Lagoa Grande; e Carol Jordão, de Ribeirão.
O movimento inverso também existe. João conquistou prefeitos até no PSD, partido de Raquel, como João Marcos Siqueira, de Ipubi, e Rivanda, de Jupi. Também estão com ele alguns prefeitos do PP, que integra a chapa de Lyra, com Saulo Maruim (PP), de Brejão, e Marinaldo Rosendo (PP), de Timbaúba.
Cidade natal de Lula está com João
Um dos apoios de maior peso simbólico a João Campos está em Garanhuns. O prefeito Sivaldo Albino (PSB) integra o grupo de aliados do ex-prefeito do Recife.
A cidade também carrega um elo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Caetés, município onde Lula nasceu, ainda era distrito de Garanhuns à época do nascimento do petista. Lula declarou apoio à candidatura de João e disse que a aliança entre PT e PSB é fruto de um “compromisso histórico”.
O apoio do presidente reforça um capital político que João já herda da própria família. Ele é filho de Eduardo Campos e bisneto de Miguel Arraes, dois dos principais nomes da história política de Pernambuco.
Arraes governou o estado em três ocasiões. Eduardo também comandou Pernambuco e deixou o cargo em 2014 para disputar o posto de presidente.
João foi deputado federal antes de chegar à Prefeitura do Recife. Venceu a eleição municipal em 2020, conquistou a reeleição em 2024 com 78,11% dos votos válidos e renunciou ao cargo em abril deste ano para disputar o governo.
Hoje, além do legado dos Campos-Arraes, leva para o palanque estadual a aliança com Lula e tenta ampliar para Pernambuco a força política que construiu na capital.



Raquel Lyra: Filha de João Lyra Neto, passou pela Prefeitura de Caruaru antes de chegar ao governo de Pernambuco
MetrópolesJoão Campos: Filho de Eduardo Campos e bisneto de Miguel Arraes, deixou a Prefeitura do Recife para disputar o governo do estado
Reprodução / PMRTrajetória de Raquel
Raquel também tem origem em uma família tradicional da política pernambucana. É filha de João Lyra Neto, ex-prefeito de Caruaru que assumiu o governo estadual em 2014 com a saída de Eduardo Campos.
Antes de vencer a eleição para governadora em 2022, ela cumpriu dois mandatos como deputada estadual e dois como prefeita de Caruaru. Raquel também passou pelo PSB e trabalhou no primeiro governo de Eduardo Campos, entre 2007 e 2010.
A eleição, portanto, coloca frente a frente dois grupos com longa presença na política de Pernambuco.
As pesquisas mostram uma disputa mais apertada entre Raquel e João, enquanto o levantamento dos prefeitos revela uma diferença muito maior na capilaridade municipal.
O apoio de um gestor não significa transferência automática de votos, mas mostra como cada campanha chega aos municípios antes da votação de outubro.

