A região do Nepal atingida por uma enxurrada violenta nesta quarta-feira (26/8) é um importante ponto de turismo e de fronteira com o Tibete, região autônoma da China.
O distrito de Rasuwa abriga a principal rota entre a China e o Nepal, com a passagem de Rasuwagadhi, sendo famosa por paisagens do Himalaia, turismo de aventura e rotas para locais de trilha no monte Kailash, no Tibete.

O monte Kailash, no Tibete, é sagrado para a religião hindu, e tem como uma das rotas o norte do Nepal. Dezenas de milhares de turistas vão ao local por ano, segundo autoridades, a maioria por motivações religiosas.
Na parte nepalesa, fica a região de Lagntang, que atrai turistas que praticam trekking e trilhas montanhosas. O Langtang National Park, que recebe cerca de 10 mil turistas por ano, fica justamente na região de Rasuwa, a mais afetada pela enxurrada de lama nesta quarta.

Região é vulnerável a enchentes
A região é particularmente vulnerável a grandes volumes de água, por uma série de fatores da geografia do local. A combinação de região montanhosa, rios estreitos e cume com gelo aumenta exponencialmente o risco de destruição por enchentes.

Ao Metrópoles, o professor de geografia Antônio Eduardo Loureiro explicou que o terreno montanhoso, com vertentes altas e cumes congelados, fazem com que o gelo derretido desçam os vales, ganhando velocidade ao acumular energia cinética, volume de água, solo e qualquer dejeto levado pela água. Veja uma imagem registrada nesta quarta:
यो भिडियो हेर्दा जिउनै सिरिङ्ग हुन्छ। 😓 pic.twitter.com/NY2cG4g3Qh
— 𑐩𑐵 𑐟𑐺 𑐎𑐵 ( मातृकालिकोटे ) (@JoMatrika) August 26, 2026
No Nepal, ainda existe o fator monsões, que podem trazer um grande volume de água. A chuva acumulada ao derretimento de neve nos cumes gera enchentes potentes.






O Conselho de Turismo nepalês informou que mais de 400 turistas estão desaparecidos
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Reprodução/Redes sociaisEm julho do ano passado, chuvas causaram o rompimento de um lago glacial, e o volume de água formou uma enchente massiva no rio Bhote Koshi, o mesmo que inundou nesta quarta. A tragédia em 2025 matou 11 pessoas e deixou destruição em estruturas nepalesas e tibetanas.
No caso atual, a enchente não foi causada por chuvas, mas por um terremoto, que gerou deslizamentos de terra e avalanche de neve, que foram despejados em rios e causaram inundações.
Loureiro explicou que a região do Himalaia fica entre as placas tectônicas Indiana e Euroasiática, o que aumenta a probabilidade de tremores.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou que, por volta das 8h (horário do Nepal), um terremoto de magnitude 4,4 atingiu a região montanhosa, próxima à fronteira.

