Belo Horizonte – Pesquisadores retomaram as escavações na Gruta do Gentio II, em Unaí, no Noroeste de Minas, sítio arqueológico onde foi encontrada, na década de 1970, Acauã, considerada a única múmia conhecida do Brasil e das terras baixas da América do Sul. As informações foram divulgadas pela Universidade de Brasília (UnB).
Localizada em uma fazenda a cerca de 30 km do Centro de Unaí, a gruta guarda vestígios de diferentes grupos humanos que ocuparam a região ao longo de milhares de anos. O local também foi usado para sepultamentos por antigas populações indígenas.
Segundo informações da UnB, a múmia de Acauã é de uma menina de aproximadamente 12 anos que viveu há cerca de 3.350 anos. O corpo foi preservado naturalmente devido ao clima seco da caverna.

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A conservação permite aos pesquisadores estudar aspectos como alimentação, doenças, parasitas e DNA.
Busca por novos sepultamentos
As novas pesquisas buscam localizar outros sepultamentos e entender melhor quem eram e como viviam as populações que ocuparam a região, além de investigar possíveis relações com povos indígenas que atualmente vivem no Brasil Central.
Para o professor do Departamento de Antropologia (DAN/ICS/UnB) Francisco Pugliese, arqueólogo integrante da equipe de pesquisa e coordenador do Projeto Arqueologia e História Indígena no Brasil Central (Phibra), o sítio arqueológico é singular. “Ele está localizado numa posição geográfica estratégica: no interflúvio do alto curso dos rios São Francisco, Tocantins e Paraná, numa região de encontros entre o Brasil Central, a Amazônia e o Nordeste”, explica o docente.
“Isso significa que os grupos humanos que passaram por ali ao longo de milênios deixaram vestígios de conexões culturais muito amplas, que ainda estamos aprendendo a decifrar”, destaca o pesquisador.
Entre 2021 e 2025, os pesquisadores recuperaram mais de 300 partes de sepultamentos humanos. O material está sendo analisado em laboratórios da UnB, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos.
Amostras também foram enviadas ao Instituto Max Planck, na Alemanha, para estudos de DNA antigo e de resíduos encontrados em recipientes de cerâmica.
Além de restos humanos, escavações realizadas no sítio já encontraram penas, cestarias, adornos, cerâmicas, sementes e instrumentos de pedra.

