A Target virou alvo de boicote após lançar uma fantasia infantil de Halloween associada ao blackface — prática histórica em que pessoas brancas pintavam o rosto para caricaturar pessoas negras. O modelo Kids’ Glow Under Blacklight Circus Clown (palhaço de circo que brilha na luz negra) cobre o rosto e as mãos da criança com tecido preto e traz um sorriso largo estampado no capuz, estética que remete às caricaturas racistas da era das leis Jim Crow. Diante da repercussão negativa, internautas também relembraram o desmonte das políticas e metas públicas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) da gigante do varejo, ocorrido em janeiro de 2025.
Vem entender esse caso!

Fantasia blackface
Nos preparativos para o Halloween, a varejista americana Target começou a lançar novas fantasias para a data. Contudo, uma peça em especial gerou controvérsia: um modelo de palhaço que brilha no escuro. A reação negativa ocorreu pelo fato de a roupa ser inteiramente preta — cobrindo, inclusive, o rosto e as mãos da criança — e trazer uma boca larga estampada no capuz, estética que remete às caricaturas racistas da época da segregação racial nos Estados Unidos.
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Além da estética da fantasia, o público ressaltou que a pose adotada pela criança no catálogo remetia às atitudes comumente performadas por artistas de blackface no período em que a prática era socialmente aceita e difundida.

A situação também trouxe à tona o encerramento das políticas e metas públicas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) da Target, em janeiro de 2025. No mesmo ano, a varejista encerrou o programa REACH, sigla para Racial Equity Action and Change, voltado ao apoio e desenvolvimento de funcionários negros.

Após a repercussão negativa, a varejista emitiu um pedido de desculpas na última segunda-feira (24/8). A empresa comunicou a retirada do produto de linha e afirmou estar “examinando atentamente como isso aconteceu e o que precisa mudar para garantir que não se repita”. Já nesta terça-feira (25/8), as ações da Target registraram queda de quase 3,9% durante as negociações da manhã.

Caso Gucci
Casos envolvendo blackface em marcas, no entanto, não são exclusivos das redes de varejo. Em 2019, a grife Gucci também foi acusada de blackface após lançar um suéter preto de gola alta com um detalhe vermelho na região dos lábios. No site, a peça era apresentada no corpo de uma modelo branca, o que agravou ainda mais a repercussão. Assim como no caso da Target, internautas apontaram que, além do racismo estrutural, a falta de pessoas negras em posições de tomada de decisão nas empresas contribui para a ocorrência de situações como essa.


Origem do blackface
A prática tem origem antiga, remontando à década de 1830, em Nova York. Na época, atores brancos pintavam o rosto de preto para participar de espetáculos de humor, além de fazerem trejeitos exagerados e ridicularizarem sotaques associados à população negra.

Na época em que o blackface surgiu, pessoas negras não eram autorizadas a se apresentar no teatro. Dessa forma, caso uma peça necessitasse de um personagem negro ou asiático, atores brancos tingiam a pele e alteravam características físicas, retratando diferentes etnias de forma estereotipada e preconceituosa.
Devido à carga ofensiva do gesto, a prática foi gradualmente eliminada da cultura do entretenimento e, no Brasil, pode configurar crime, sendo enquadrada como injúria racial, a depender do contexto. Entretanto, marcas e empresas como Target e Gucci ainda protagonizam situações que evidenciam resquícios do racismo estrutural presentes na sociedade.





Blackface no entretenimento
Kirn Vintage Stock/Corbis via Getty ImagesApresentação de jazz com cantor fazendo blackface
Warner Brothers/Getty ImagesBlackface em apresentações musicais
PoPsie Randolph/Michael Ochs Archives/Getty ImagesBlackface em encenações teatrais
Michael Nicholson/Corbis via Getty Images
