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Servidor da comissão contra assédio em ministério tem condenação por stalking

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Servidor da comissão contra assédio em ministério tem condenação por stalking

Integrante da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho e Assédio (CIPA) da Fundação Assistencial dos Servidores do Ministério da Fazenda (Assefaz), o analista financeiro Roberto Ribeiro Mourão, de 45 anos, possui condenação por stalking e uma medida protetiva vigente por acusação de agressão contra duas ex-companheiras.

Roberto foi empossado como membro da comissão, em novembro de 2025, exatamente um mês após ser condenado a 10 meses de prisão por perseguir e violar ordens judiciais contra a ex-esposa que utilizou de medidas protetivas após episódios de violência contra ela durante os anos de casamento. Ele cumpriu a condenação em regime aberto.

A condenação foi embasada no descumprimento de medidas protetivas ocorreu em três ocasiões distintas, além do crime de stalking. De acordo com a sentença proferida em outubro de 2025, o réu utilizou e-mails para contatar reiteradamente sua ex-esposa, mesmo ciente da proibição judicial de aproximação e contato.

A perseguição somada ao histórico de violência fez com que a ex-esposa de Roberto morasse mais de um mês na casa de uma amiga. Além disso, com medo de que algo pior acontecesse, ela chegou a mudar de forma repentina da onde morava e teve que arcar com multa por descumprir contrato de aluguel.

Além da condenação de 2025, uma nova namorada relatou um histórico de violência física, ameaças, injúrias e a apropriação indevida de recursos financeiros. A Justiça determinou o afastamento mínimo de 300 metros e a proibição de contato, sob pena de prisão preventiva.

“Um filme de terror”

A promessa de um futuro em comum, o pedido de namoro em tempo recorde e a enxurrada de planos sobre casamento e família. O que parecia ser o início de um romance arrebatador para a ex-namorada de Roberto, que havia acabado de perder toda a sua família e terminar um relacionamento, revelou-se, na verdade, a porta de entrada para o que ela própria define como um “verdadeiro filme de terror”. A vítima preferiu não se identificar.

Após conhecer a nova namorada em um aplicativo de namoro, em apenas seis dias, pediu a nova parceira em namoro. Contudo, por trás da fachada de homem atencioso e focado na construção de um lar, havia um padrão que viria a se repetir.

A ex-namorada de Roberto alega que as juras de amor deram lugar para mentiras e traições. O relacionamento escalou para violência física após ela confrontar mensagens de outras mulheres. Roberto não aceitou e passou a ofendê-la chamando-a de “vagabunda”, “piranha”, “louca”, “descompensada” e “jumenta”. Além disso, ele teria dado socos e puxões de cabelos.

“Foram tantas mentiras, tantas versões diferentes, tantas descobertas e tantas histórias semelhantes que, para mim, tudo isso acabou se transformando em um verdadeiro filme de terror. Eu não quero que essa história seja vista apenas como mais um relacionamento que terminou mal. Para mim, foi uma experiência que afetou profundamente minha autoestima, minha segurança emocional, minha vida financeira e a forma como passei a enxergar as relações”, desabafou a vítima.

Modus operandi

Um dos pontos revelados pela ex-namorada de Roberto é a descoberta de que o comportamento não era um desvio isolado. Ao começar a investigar após alertas de terceiros, ela conseguiu contato com outras mulheres que passaram pela vida de Roberto, que já foi casado quatro vezes.

Independentemente de terem se relacionado em épocas diferentes, todas relataram o mesmo enredo para a ex-companheira: humilhações, pressão psicológica, controle e a tentativa de desmoralizá-las socialmente para proteger a imagem pública de “homem exemplar” que ele faz questão de projetar nas relações que ele tinha.

“Ao ouvir as ex-mulheres do Roberto, comecei a perceber padrões. Eram mulheres que, em muitos casos, tinham características parecidas: mulheres independentes, bem-sucedidas, algumas recém-saídas de relacionamentos, algumas emocionalmente vulneráveis e muitas desejando reconstruir a própria vida”, explicou a ex-namorada.

Mesmo sendo casado por quatro vezes, Roberto mantinha perfis ativos em diversos aplicativos de relacionamentos e chegou a dizer que a sua ex-namorada era “louca”.

“Durante muito tempo, eu ouvi que o problema era eu. Hoje, eu sei quem eu era antes dessa relação e o quanto ela me transformou”, desabafa a vítima. Ela relata que desenvolveu crises de ansiedade severas e fortes gatilhos emocionais, precisando lidar não apenas com o trauma da violência, mas com o desgaste de ter sua palavra questionada.

Trajetória em ministério e universidades

Acusado de violência doméstica, Roberto Mourão trabalhou por 10 anos no Ministério do Esporte e chegou a ocupar cago de Assistente de Excelência Esportiva e Promoção de Eventos. Além disso, atuou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS) e na Universidade Federal do Paraná (FUPAR). Antes de se tornar colaborador na Assefaz, ele trabalhou por anos como coordenador na Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE).

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De acordo com uma ex-companheira, ele usa o cargo atual para prometer emprego às mulheres com quem se relaciona. “Ele usa o cargo dele para ludibriar a gente. Ele pede currículo e diz: ‘Você está com um emprego medíocre, vou arrumar um emprego melhor para você’ “, explicou.

O homem que é descrito como comportamento agressivo nas redes sociais apareceu postando homenagens para mulheres com câncer.

O outro lado

Roberto Ribeiro Mourão e a Assefaz foram procurados pela reportagem para se manifestar sobre as acusações e a nomeação para a comissão de prevenção ao assédio. Até o momento, não houve retorno.

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