Alimentos como espinafre, amêndoas e batata-doce costumam ser associados a uma dieta saudável. Mas um estudo da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, indica que, para pessoas com doença inflamatória intestinal (DII), esses itens podem contribuir para a piora da inflamação.
A pesquisa, publicada na revista Cellular and Molecular Gastroenterology and Hepatology em 13 de agosto, investigou o papel do oxalato, um composto natural presente em alimentos de origem vegetal. Os resultados apontam que, em pacientes com doença de Crohn e colite ulcerativa, o organismo tem mais dificuldade para lidar com a substância, o que favorece seu acúmulo no intestino.
Como o oxalato age no intestino
Em condições normais, grande parte do oxalato ingerido é eliminada nas fezes. No entanto, os pesquisadores observaram que pacientes com doença inflamatória intestinal apresentam níveis reduzidos de proteínas responsáveis por transportar a substância no intestino.
Com o sistema comprometido, o oxalato não é processado de forma adequada e passa a se acumular no ambiente intestinal. Os dados indicam que o acúmulo está associado ao aumento da inflamação na mucosa. A relação foi observada tanto em análises com pacientes quanto em experimentos com células e modelos animais.
Intestino reage de forma diferente ao composto
Um dos pontos centrais do estudo foi comparar a alimentação de pacientes com doença inflamatória intestinal e de pessoas sem a condição.
Apesar de consumirem quantidades semelhantes de alimentos vegetais, os pacientes apresentaram níveis mais altos de oxalato nas fezes, o que sugere que o problema não está apenas no que é ingerido, mas na forma como o organismo processa o composto.
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Os pesquisadores usaram diferentes métodos para avaliar a dieta, incluindo questionários e análise genética de resíduos alimentares nas fezes.
Nos experimentos com animais, dietas enriquecidas com oxalato estiveram associadas a quadros mais graves de inflamação intestinal. Em alguns modelos, houve piora da doença e menor taxa de sobrevivência.
Em testes com células do sistema imunológico, o composto também intensificou respostas inflamatórias, reforçando a hipótese de que ele atua diretamente nesse processo.
O que muda para os pacientes
Os autores destacam que os resultados não indicam a necessidade de excluir alimentos de origem vegetal da dieta. A proposta é entender melhor como o organismo de cada paciente processa o oxalato.
O estudo também aponta o microbioma intestinal como possível caminho para intervenções. Certas bactérias ajudam a degradar o oxalato, mas estão reduzidas em pessoas com doença inflamatória intestinal.
Segundo os pesquisadores, futuras estratégias podem envolver tanto ajustes alimentares quanto abordagens voltadas à microbiota, com o objetivo de reduzir a inflamação de forma mais direcionada.

