Com uma dívida de R$ 56 bilhões e um pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo, a petroquímica Braskem fechou, no ano passado, uma indenização bilionária para o estado de Alagoas por causa dos danos causados pela mineração de sal-gema ao solo da capital, Maceió.
Em novembro de 2025, a empresa se comprometeu em pagar R$ 1,2 bilhão em parcelas até 2030.
A exploração de sal-gema em minas urbanas pela empresa causou o afundamento do solo em vários bairros, forçando a retirada de milhares de famílias de suas casas e à perda de equipamentos públicos, como escolas e hospitais.
O acordo estabeleceu a compensação, indenização e ressarcimento ao estado para a “reparação integral de todo e qualquer dano patrimonial e extrapatrimonial”.
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À época, a Braskem afirmou já ter repassado ao poder público estadual R$ 139 milhões do total.
Desastre
O afundamento do solo foi um grave desastre socioambiental urbano provocado pela extração inadequada de sal-gema — matéria-prima usada na fabricação de PVC.
A atividade era realizada pela empresa Braskem desde os anos 1970 na capital de Alagoas. A exploração de dezenas de poços subterrâneos causou instabilidade geológica, gerando rachaduras, tremores e o afundamento contínuo da superfície.
As estimativas incluíram impactos em seis áreas. Elas abrangem desde perdas do patrimônio físico do estado, caso de escolas e equipamentos de saúde, a danos individuais (morais) e coletivos (ambientais), além do caos provocado na Região Metropolitana de Maceió pelo deslocamento de mais de 60 mil pessoas, moradores das áreas afetadas.
Relembre
- O desastre socioambiental foi provocado pela extração inadequada de sal-gema pela empresa Braskem.
- A empresa extraía sal-gema a centenas de metros de profundidade no subsolo de Maceió desde 1970.
- O crescimento excessivo e a falta de estabilização adequada das cavidades subterrâneas geraram abalos sísmicos e o enfraquecimento estrutural do teto das minas.
- O processo tornou-se visível a partir de 2018, com o surgimento de rachaduras em ruas e imóveis.
- Os bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte de Farol sofreram danos severos e foram esvaziados.
- O desastre resultou em processos judiciais bilionários de reparação, acordos de compensação financeira mediados pelo Ministério Público Federal e responsabilizações da Braskem.




A petroquímica entrou com pedido de recuperação extrajudicial
Thomas Fuller/SOPA Images/LightRocket via Getty Imagesdesastre socioambiental provocado pela mineração de sal-gema da Braskem em Maceió (AL) causou o afundamento do solo em cinco bairros
Orlando Costa/Especial MestrópolesCaso gerou impactos urbanos severos, denúncias do Ministério Público Federal e acordos bilionários de indenização
Igo Estrela/MetrópolesRecuperação extrajudicial
A Braskem entrou com um pedido de recuperação extrajudicial na Justiça de São Paulo, na madrugada desta segunda-feira (24/8). A empresa terá 90 dias para apresentar um plano definitivo de reestruturação.
Atualmente, a dívida da companhia é de R$ 56 bilhões.
Os maiores credores são os bondholders, investidores que compram um título de dívida emitido, e Banco do Brasil, BNDES, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander.
No caso da recuperação extrajudicial, essa renegociação é feita diretamente com os principais credores para, depois, ser homologada pelo Judiciário.
Em junho, a Justiça de São Paulo foi favorável ao pedido de suspensão temporária de execuções judiciais feito pela Braskem, contra parte dos credores da empresa.
Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Braskem informou que seu Conselho de Administração aprovou o pedido de recuperação extrajudicial da empresa.
Segundo a petroquímica, o objetivo é “assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para negociação e implementação da reestruturação de suas obrigações financeiras quirografárias”, no valor aproximado de US$ 10,9 bilhões.

