O marqueteiro argentino Fernando Cerimedo, aliado da família Bolsonaro e ex-assessor do presidente da Argentina, Javier Milei, teve a prisão preventiva por 180 dias decretada na Bolívia, nessa sexta-feira (21/8), por tentativa de feminicídio contra a companheira grávida.
Ele foi detido na última terça acusado de mandar matar Nadia Beller, de 41 anos. A polícia boliviana o prendeu em um aeroporto em Santa Cruz de la Sierra.
A Justiça da Bolívia determinou que o argentino seja mandado do presídio da Palmasola, a maior prisão da Bolívia. O argentino, fundador do “La Derecha Diario”, também foi indiciado, em outro processo, por enriquecimento ilícito.
O crime
Beller foi baleada três vezes na noite de segunda-feira (17/8), em um hotel em Santa Cruz de la Sierra. Ela conseguiu escapar do homicídio após se fingir de morta.
Os promotores do caso acusam Cerimedo de ter comandado o ataque remotamente, por telefone, pressionado a companheira a encontrar os atiradores e, depois, tentado fugir da Bolívia de avião, segundo o jornal boliviano El Deber.



Fernando Cerimedo é acusado de ser o mandante do crime contra Nadia
Facebook/Nadia BellerNadia Beller, advogada boliviana, levou três tiros na última segunda-feira
Facebook/Nadia BellerUm vídeo de câmera de segurança obtido pela imprensa boliviana mostra o momento do ataque contra Beller. Veja:
La noche del 17 de agosto, en un hotel de la zona Canal Isuto de Santa Cruz de la Sierra (Bolivia), dos sicarios disfrazados de repartidores de delivery le dispararon tres veces a quemarropa a la abogada y activista Nadia Shirley Beller Delgado, de 33 años.
Ella se tiró al piso,… pic.twitter.com/Zb0vBxUpQv
— Anxious Vids🔥 (@Anxiousvids) August 18, 2026
Grávida, a advogada foi internada em UTI no dia do ataque, e recebeu alta médica nesse sábado (22/8). Segundo a própria relatou em redes sociais, deve continuar realizando tratamento ambulatorial que inclui consultas médicas, exames semanais e sessões de fisioterapia.
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Aliado da direita na América Latina
No Brasil, Cerimedo ficou conhecido após as eleições de 2022, por fazer uma live divulgando fake news sobre as urnas eletrônicas, dizendo ter um suposto relatório que confirmaria fraude nas eleições brasileiras. O conteúdo foi difundido por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno na ocasião.
A Polícia Federal (PF) investigou o caso e indiciou Cerimedo no inquérito que apurou a tentativa de golpe de Estado.
Além deste episódio, o marqueteiro, em julho deste ano, fez uma live com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) e voltou a levantar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro.
A relação entre Cerimedo e líderes da direita da América Latina não para no Brasil. Fernando Cerimedo também foi um dos coordenadores da campanha de Javier Milei nas eleições argentinas de 2023. Segundo o jornal argentino Lá Nación, ele visitou a Casa Rosada pelo menos 13 vezes desde que Milei se tornou presidente.
Na Bolívia, Cerimedo trabalhava como consultor do atual presidente, Rodrigo Paz. A informação foi confirmada pelo porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, ao jornal El Deber.
“Entendo que seu papel era mais o de colaborador nessa função de consultoria para o presidente. O Estado não realizou nenhuma despesa relacionada a ele, não o pagou, ele não tem contrato com o Estado e nenhum recurso estatal foi liberado para pagar por essa consultoria”, disse.

