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Tamara Klink: linha ultrapassada pela velejadora define que dia é hoje

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Tamara Klink: linha ultrapassada pela velejadora define que dia é hoje

Você teria coragem de passar meses sozinho em alto-mar, sem rede de celular, sem ninguém para conversar, dependendo só de si mesmo para enfrentar tempestades e o isolamento? Foi esse o caminho escolhido pela velejadora brasileira Tamara Klink, de 29 anos.

Atualmente, Tamara navega sozinha pelo mar de Bering a bordo do veleiro Sardinha 2, em rota que liga o Alasca ao Atlântico. Pela primeira vez, o percurso pode ser acompanhado quase em tempo real por meio de um painel digital que atualiza a posição da embarcação, a rota e as condições do mar, mesmo em áreas sem cobertura de rede.

Na última semana (14/8), a velejadora compartilhou um vídeo em que mostrava a aproximação da Linha Internacional de Data, um marco importante da travessia.

“Quando eu cruzar essa linha, vou deixar de navegar no ontem e vou passar imediatamente para amanhã, 21 horas mais tarde”, disse.

O cruzamento da linha altera a data em um dia inteiro e serve como referência para organizar o calendário no planeta. Mas, na prática, o que isso significa?

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Amyr Klink e Tamara
Metrópoles
Tamara Klink é primeira brasileira a passar inverno isolada na Groelândia
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Tamara Klink é primeira brasileira a passar inverno isolada na Groelândia

Reprodução/ Instagram
Amyr Klink e Tamara
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Amyr Klink e Tamara

Foto: Leonardo Fancini

Linha Internacional de Data

A Linha Internacional de Data é uma linha imaginária localizada, em grande parte, sobre o meridiano de 180 graus no oceano Pacífico. Ela marca a mudança oficial de um dia para o outro no calendário global.

“A passagem altera a data do calendário, que é uma convenção humana. Ao cruzá-la de oeste para leste, volta-se um dia; no sentido oposto, avança-se um dia”, explica a oceanógrafa Raquel Avelina,  pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ) e apoiada pelo Instituto Serrapilheira.

A linha existe como contraponto ao meridiano de Greenwich, que define o horário de referência mundial. Segundo o professor Edmo Campos, membro titular da Academia Brasileira de Ciências e da rede de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), o meridiano de 180 graus funciona como a fronteira para essa mudança de data no sentido global.

Apesar de parecer um limite simples no mapa, o traçado não é totalmente reto. Ele apresenta desvios para evitar que países e arquipélagos sejam divididos em dias diferentes.

“Se fosse uma linha reta, regiões vizinhas poderiam estar em dias distintos, o que dificultaria atividades comerciais e administrativas”, afirma Campos. Um exemplo citado por ele é o de Kiribati, que alterou seus fusos para manter todo o território no mesmo dia.

Impacto na navegação

Na prática, atravessar essa linha não representa um obstáculo técnico relevante para quem navega atualmente. Com o avanço do GPS e dos sistemas de posicionamento, o principal efeito é a mudança no calendário.

Ainda assim, a orientação tradicional continua importante no mar. “Hoje é difícil ter problemas de navegação, mas o uso da bússola segue sendo fundamental”, diz Raquel.

Em regiões como o Ártico, onde condições climáticas e geográficas já impõem desafios, a travessia da linha se soma mais como um ajuste de referência do que como uma dificuldade operacional.

Referência internacional entre navegadoras

Filha do navegador Amyr Klink, Tamara cresceu em contato com o mar e participou, desde cedo, de expedições da família. Ainda adolescente, publicou com as irmãs Laura e Marina Helena o livro Férias na Antártica, inspirado nas viagens que fizeram juntas ao continente.

Na vida adulta, passou a realizar travessias sozinha e a conduzir as próprias expedições. Em 2020 e 2021, cruzou o Atlântico em uma rota entre a Noruega e o Brasil. Em 2023, voltou ao oceano para uma nova travessia solo, desta vez entre a França e a Groenlândia. No mesmo período, passou um inverno isolada no Ártico.

Em 2025, entrou para a história ao cruzar sozinha a Passagem Noroeste, ligando a Groenlândia ao Alasca em cerca de 6,5 mil quilômetros. A experiência no frio extremo foi relatada no livro Bom dia, Inverno, lançado em maio de 2026, que desde então figura entre os mais vendidos do país.

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