presentamos a ÍRIS, uma ferramenta preditiva de resultados eleitorais. Ela utiliza um mecanismo cada vez mais conhecido do público, a agregação de pesquisas eleitorais.
Mas vai além.
As pesquisas eleitorais são fontes de dados que permitem simular a real preferência do eleitorado. A ÍRIS reúne os levantamentos publicados pelos institutos e os combina em uma estimativa única, atualizada diariamente. E em vez de produzir um índice de intenção de votos, compara os resultados, quantifica um intervalo de incerteza, que é inerente a todas as pesquisas, e calcula, com base em modelos estatísticos, as chances de vitória dos candidatos.
Para entender como funciona a ferramenta, podemos começar com uma analogia.
Na biomedicina, quando queremos descobrir se um remédio funciona, temos um grande desafio. Seria logisticamente impossível chamar todas as pessoas que têm a doença para participar de um estudo. Então, pesquisadore(a)s recrutam um grupo e testam o medicamento. Se funcionar, temos uma boa evidência de que vai dar certo também com outros portadores da mesma enfermidade.
Esse passo, de projetar o resultado de um fenômeno em um conjunto limitado de pessoas para o conjunto total das pessoas chama-se inferência estatística e está na base de pesquisas clínicas e eleitorais.
As pesquisas eleitorais querem saber as preferências de cerca de 158 milhões de eleitore(a)s a partir de amostras de mil a 5 mil pessoas. Parece milagre querer estimar a preferência de tanta gente, perguntando para relativamente tão poucos. Mas não é milagre algum. A matemática que permite esse tipo de conclusão já foi provada definitivamente ainda na década de 1930. Além disso, temos anos de pesquisas por amostragem comprovando que o mecanismo funciona — dentro de certos limites.
Isso não significa, porém, dizer que basta testar 100 pessoas ou entrevistar mil que saberemos que um remédio cura ou o resultado de uma eleição. Há limites nas pesquisas que independem da competência com a qual foram conduzidas, ou da matemática que lhes dá base.
Esses limites dependem de dificuldades inerentes ao processo: recrutar as pessoas certas, em número necessário; buscar informações verdadeiras que dependem da declaração das pessoas; dificuldades decorrentes da complexidade dos seres humanos, que podem mudar de circunstância ou opinião de uma hora para outra. Entre outras dificuldades.
Por causa disso, na biomedicina moderna, evitamos bater o martelo sobre a eficácia de um remédio com base apenas em uma pesquisa. A padrão-ouro é agregar os resultados de várias delas, pelo mecanismo chamado meta-análise. A ideia é que, se pesquisas diferentes, cada uma com suas características, limites e dificuldades, convergem para um mesmo resultado, é mais provável que isso não seja um acidente estatístico, mas a realidade do fenômeno.
Uma agregação de pesquisas eleitorais é uma meta-análise de várias delas que estão disponíveis. A partir da comparação de todas, de institutos e metodologias diferentes, podemos chegar a conclusões sobre a real preferência do eleitorado que nenhuma pesquisa consegue por si só.
A ÍRIS faz ainda mais do que isso: ela pesquisa as pesquisas. Usa os dados retirados desses vários levantamentos ao longo do tempo para estimar como a preferência do eleitorado a cada momento pode se projetar em resultado eleitoral.
Em outras palavras, ela estima qual vai ser o resultado da eleição, dentro de uma margem de incerteza. É uma ferramenta para ajudar eleitore(a)s, pessoas que trabalham com política e o público em geral a ter uma boa fonte de informação para tomar suas decisões.
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