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"Tô sozinho", diz Flávio ao reclamar de ataques de aliados da direita

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
"Tô sozinho", diz Flávio ao reclamar de ataques de aliados da direita

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, reclamou nesta quinta-feira (20/8) dos ataques que tem recebido de adversários que também disputam votos à direita e no centro-direita.

Em uma transmissão ao vivo, o senador disse estar “sozinho de novo” na corrida pelo Planalto e afirmou que esperava ver esses concorrentes concentrados em enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Flávio não disse a quem se referia. A queixa, no entanto, vem depois de críticas públicas feitas por Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), adversários que tentam conquistar uma parcela do eleitorado que hoje se divide entre candidaturas de oposição a Lula.

“Se você olha para quem são os candidatos, eu tô sozinho de novo. Até aquelas pessoas que se dizem de direita que eu incentivei… Eu incentivei, não quero falar aqui os nomes, em algum momento, se for necessário, eu falarei. Eu incentivei alguns deles a serem candidatos porque eu falava assim: ‘Cara, isso aqui não é projeto de poder, é o Brasil que tem que vencer”, afirmou.

O senador também demonstrou incômodo com o fato de parte das críticas partir de candidaturas que se apresentam como alternativas de direita ou centro-direita.

“Isso me deixa um pouquinho chateado, mas também bola para frente, porque eu esperava que as pessoas que se dizem de centro-direita fossem estar atacando o Lula. E é todo dia ataca Flávio Bolsonaro. É triste isso, mas eu tenho você, tenho o povo e, acima de tudo, tenho Deus tomando conta de tudo”, acrescentou Flávio.

A reclamação ocorre poucos dias depois de Flávio Bolsonaro trocar acusações com a chapa de Caiado. Na semana passada, Gilberto Kassab, presidente do PSD e candidato a vice, afirmou que Flávio tinha “chance zero” de vencer a eleição.

O senador reagiu cobrando dos candidatos de direita uma oposição mais direta ao PT, enquanto aliados do PL acusaram o PSD de funcionar como uma força auxiliar de Lula. Caiado rebateu e classificou a reação como um “momento de desespero”.

A disputa não ficou restrita à troca de declarações. Desde o início oficial da campanha, Caiado tem buscado marcar distância tanto de Lula quanto de Flávio e se apresentar ao eleitor como uma alternativa aos dois. No primeiro dia de campanha, por exemplo, fez críticas aos dois adversários ao defender a própria candidatura.

Renan Santos também tem Flávio entre os principais alvos. Dias antes do início da campanha, o candidato do Missão chamou o senador de “farsante” e estendeu as críticas à atuação política da família Bolsonaro. No domingo (16/8), ao lançar oficialmente sua candidatura em São Paulo, voltou a direcionar ataques tanto a Lula quanto ao candidato do PL.

O embate com Renan ganhou um novo capítulo com a inclusão indevida de Flávio como filiado ao Missão no sistema da Justiça Eleitoral. O episódio impediu temporariamente o registro da candidatura pelo PL e provocou acusações entre os dois lados. A filiação ao PL foi restabelecida e o caso passou a ser apurado.

Zema também já protagonizou um confronto direto com Flávio. Em maio, depois da divulgação de áudios sobre a busca por recursos para a cinebiografia de Jair Bolsonaro, o então pré-candidato do Novo classificou como “imperdoável” a cobrança feita pelo senador ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio reagiu e disse, na ocasião, que Zema havia se precipitado.

O tom entre os dois, porém, diminuiu depois daquele episódio. Três dias após a crítica, Zema afirmou que considerava o assunto uma “página virada”. Já na convenção que oficializou sua candidatura, em julho, concentrou o discurso em críticas ao PT e ao Supremo Tribunal Federal (STF) e evitou novos ataques diretos a Flávio.

Ausência em debates

O risco de se tornar o alvo preferencial dos demais concorrentes também entrou nos cálculos da campanha do PL sobre a participação nos debates presidenciais.

A equipe avalia que a presença de Flávio sem Lula pode deixá-lo mais exposto aos adversários que aparecem atrás dos dois nas pesquisas. Por isso, a tendência é que o senador evite debates dos quais o presidente não participe.

A disputa dentro da direita ocupou apenas parte da transmissão desta quinta. Flávio também falou de economia, segurança pública e das investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

A live teve a participação da ex-presidente da Caixa Daniella Marques, que auxilia a campanha na formulação de propostas econômicas; do ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e candidato ao Senado Guilherme Derrite (PL); e de um radialista.

Ao apresentar Daniella, Flávio a chamou de sua “inteligência aumentada” para a economia e fez referências ao apelido de “Posto Ipiranga”, usado por Jair Bolsonaro para se referir a Paulo Guedes na campanha de 2018. Daniella integra a equipe econômica da candidatura e trabalhou no Ministério da Economia durante o governo Bolsonaro antes de assumir a presidência da Caixa.

Caso Lulinha

Ao longo da transmissão, Flávio abordou o endividamento das famílias e as dificuldades enfrentadas pelo varejo, apresentou medidas para a segurança pública previstas em seu programa de governo e voltou a criticar decisões do STF relacionadas à atuação da imprensa.

O candidato também repercutiu uma reportagem da revista “Veja” sobre mensagens reunidas pela Polícia Federal em uma investigação que cita Lulinha. O material faz parte de uma apuração sobre uma possível atuação de empresários e lobistas para obter acesso e intermediar negócios no governo federal. A defesa do filho do presidente nega irregularidades.

Durante a live, Flávio leu algumas das mensagens e afirmou que as investigações sobre as fraudes em aposentadorias e pensões do INSS teriam chegado “dentro do gabinete do presidente da República”.

Em seguida, o senador citou uma conversa atribuída a uma das pessoas investigadas, na qual ela dizia que o grupo iria “ficar milionário” ou “se ferrar grande”.

Flávio Bolsonaro usou o trecho para ironizar o andamento das apurações. “O mais provável é a segunda hipótese, que eles vão se ferrar de verde e amarelo”, disse o candidato.

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