O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) descartou privatizar a Petrobras e comparou a venda da estatal à terceirização das Forças Armadas. Em entrevista ao Metrópoles nesta quarta-feira (19/8), ele defendeu que o controle sobre as reservas de petróleo e decisões relacionadas à política energética permaneça sob comando nacional.
“Vender a Petrobras e permitir que outras nações ditem as nossas políticas de energia é uma loucura, é como terceirizar as Forças Armadas. A gente não pode fazer isso, é uma questão estratégica”, disse.
Leia também
O candidato citou conflitos internacionais e a disputa por reservas de petróleo para explicar sua posição. Segundo Renan, a guerra envolvendo Rússia e Ucrânia, o conflito no Irã e o interesse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas reservas da Venezuela extrapolam, em sua avaliação, o campo econômico e envolvem disputas geopolíticas.
“Nós estamos num mundo em guerra, onde recursos naturais serão utilizados como ferramenta de guerra”, afirmou.
Renan também mencionou os efeitos dos conflitos sobre o preço do petróleo e afirmou que os Estados Unidos buscam, segundo sua avaliação, ampliar seus estoques do combustível e exercer pressão inflacionária sobre a China.
Apesar de rejeitar a privatização da Petrobras, o candidato afirmou que pretende ampliar a participação de empresas privadas em outras etapas do setor. “Vamos trazer empresas para participar do refino, abrir o mercado de distribuição de combustíveis”, declarou.
Terras raras
Questionado sobre a possibilidade de criar uma empresa estatal para gerir as terras raras, Renan Santos disse que não considera necessária a criação de uma nova estatal.
“Não é necessário criar estatal. Mas é muito importante termos empresas nessas áreas, fazer consórcios públicos com o setor privado.”
O candidato citou como exemplo a participação de 10% do governo dos Estados Unidos na USA Rare Earth. Segundo ele, o modelo de atuação estatal pode combinar participação pública, financiamento e empresas privadas sem a criação de uma nova estatal.
O plano de governo do candidato prevê a participação do setor privado e parcerias com o poder público na cadeia de terras raras. Entre as propostas estão a formação de um consórcio de financiamento liderado pelo BNDES, reunindo entes públicos e investidores privados, e a possibilidade de uso de parcerias público-privadas em projetos de infraestrutura.
O programa prevê ainda a criação de uma planta-piloto de separação e refino de terras raras entre 2029 e 2030, além de acordos com Estados Unidos e União Europeia para transferência de tecnologia e compromissos de compra de longo prazo.

