O marqueteiro Duda Lima, responsável pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), afirmou que conquistar o eleitorado feminino será um dos principais desafios de comunicação da candidatura.
Ao falar para empresários em São Paulo, ele também avaliou que a eleição está aberta e será apertada e elogiou a capacidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de criar uma conexão emocional com os eleitores.
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Questionado sobre a relação do sobrenome Bolsonaro com o eleitorado feminino, Duda Lima citou o estilo de comunicação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que associou à estrutura militar, às motociatas e a um “jeito duro de falar”. Na avaliação do marqueteiro, essa forma de se comunicar pesa na relação com as eleitoras.
“Esse, de fato, é um desafio de comunicação mesmo”, afirmou. “Isso é um grande desafio de comunicação para ser trabalhado”, acrescentou.
As declarações foram feitas durante uma palestra promovida pela Companhia de Negócios, plataforma que reúne empresários e autoridades. A iniciativa é organizada por Márcio Moraes e Gal Nunes.
O desafio ganha importância pelo peso das mulheres nas urnas. Segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em junho, elas representam 52,8% das pessoas aptas a votar no país. São mais de 83,8 milhões de eleitoras em um universo de cerca de 158,7 milhões de brasileiros habilitados a participar das eleições.
A campanha já vinha preparando uma ofensiva para ampliar o diálogo com esse público. A escolha do candidato a vice também chegou a passar pela estratégia de aproximação com as mulheres. Flávio avaliou nomes femininos para a chapa, mas, após recusas de partidos do Centrão em integrar a aliança e discussões internas do PL, escolheu Alfredo Gaspar (PL-AL).
A estratégia do entorno de Flávio Bolsonaro prevê maior participação da esposa do senador, Fernanda Bolsonaro, e de Daniella Marques em agendas pelo país para apresentar propostas direcionadas às mulheres, principalmente nas áreas de segurança e renda.
O plano foi desenhado também em meio à crise entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, uma das principais lideranças femininas do bolsonarismo.
“Eleição super apertada”
Além do desafio entre as mulheres, Duda Lima afirmou que espera uma disputa acirrada pelo Palácio do Planalto.
“Bom, eleição presidencial, gente, está apertada para caramba”, disse. Pouco depois, reforçou: “Sim, é uma eleição super apertada”.
O marqueteiro foi apresentado no evento como responsável pela campanha de Flávio havia dez dias. Ao falar sobre sua chegada ao projeto, contou que havia deixado de assumir campanhas e trabalhava como consultor em diferentes estados.
“Eu estava fazendo mentoria em 14 estados. Então, quando eu pulo para a campanha presidencial, eu estava quente, eu estava aquecido”, afirmou.
Ao analisar o cenário eleitoral, ele disse que a polarização perdeu parte da intensidade vista em eleições anteriores, mas afirmou ter percebido insatisfação entre eleitores durante as viagens que fez pelo país.
Segundo Duda Lima, uma das estratégias da campanha será confrontar as expectativas criadas na eleição passada com a situação atual.
Ele citou violência, aumento da população em situação de rua e endividamento da classe média para sustentar esse discurso. “A esperança virou medo”, declarou, ao apresentar um dos motes que pretende explorar na campanha de Flávio.
Na sequência, afirmou ainda que a “esperança virou vergonha” e que a “esperança virou dívida”.
O marqueteiro disse acreditar que esse sentimento pode favorecer uma mudança no comando do país. “E, se esse sentimento gritar, eu acredito que o Brasil vai ter um novo presidente”, afirmou.
Duda Lima evitou, porém, antecipar outras peças ou estratégias para Flávio Bolsonaro. O marqueteiro participou da campanha de Jair Bolsonaro em 2022 e reconheceu publicamente o resultado daquela disputa. “Eu fiz a eleição presidencial em 2022, eu perdi a eleição, estava do lado de Jair, Lula ganhou”, afirmou.
Questionado sobre o que faria de diferente desta vez, respondeu: “Isso eu não posso dizer”.
Elogios a Lula
Ao mesmo tempo em que apontou dificuldades para a campanha adversária, Duda Lima elogiou a capacidade de Lula de estabelecer vínculos emocionais com o eleitorado. Ele também concordou com uma afirmação do moderador do evento, que havia classificado o petista como “um dos maiores líderes do mundo político”.
“Como a gente tem um candidato como o Lula que tem uma capacidade de lidar com o lado emocional, de tocar as pessoas pela sua história, pela sua habilidade, pelo seu treino, pela sua capacidade, ele conecta com as pessoas”, declarou.
Em comparação, o responsável pela campanha de Flávio afirmou que seu próprio campo político encontra dificuldades para criar esse tipo de vínculo. “O outro lado tem uma certa dificuldade em ter este tipo de conexão, ter uma conexão mais racional”, disse.
Segundo Duda Lima, não há uma fórmula pronta para superar esse problema. Ele afirmou que o trabalho exige acompanhamento diário e uma combinação de emoção e racionalidade. “Isso é dia a dia, isso é dedo no pulso, isso é trabalho, coração na campanha, cérebro também”, afirmou.

