Mais de um ano e meio depois, as Forças de Defesa de Israel (IDF) ordenaram, nesta quarta-feira (19/8), que seja feita uma investigação criminal sobre o assassinato da menina palestina Hind Rajab, de 5 anos, em Gaza, em janeiro de 2024. fO caso virou filme, premiado no Festival de Veneza, “a voz de Hind Rajab”.
É a primeira vez que o governo israelense reconhece que seus militares abriram fogo contra o veículo que transportava a menina e sua família. Antes, as IDF haviam declarado que “não estavam presentes nas proximidades do veículo nem ao alcance de tiro”.
Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que, seguindo investigações do Mecanismo de Apuração de Fatos e Avaliação, concluiu as análises de vários “incidentes operacionais excepcionais” de grande repercussão ocorridos em Gaza desde 7 de outubro de 2023, determinando a abertura de inquérito sobre as mortes de Hind Rajab e de mais 15 palestinos em Tel al-Sultan, em março de 2025.
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O Exército afirmou que a investigação concluiu que as tropas dispararam contra o carro da família Hamada quando ele se aproximava das forças, “seguindo na direção oposta à rota de evacuação” divulgada pelas FFDI aos moradores da região.
Ao mesmo tempo, membros das FDI foram isentos da responsabilidade criminal pelo ataque contra a World Central Kitchen, comboio humanitário atingido após descarregar mais de 100 toneladas de alimentos.
Sete funcionários da ONG foram mortos em um ataque aéreo em abril de 2024. O exército também arquivou processos relativos aos assassinatos de quatro funcionários dos Médicos Sem Fronteiras, em Gaza e Khan Younis.
O ataque
Uma investigação do Exército revelou que militares dispararam contra o veículo da família Hamada em janeiro de 2024, após o automóvel trafegar no sentido oposto a uma rota de evacuação divulgada na Cidade de Gaza. A ação militar resultou nas mortes imediatas de cinco ocupantes, deixando como únicas sobreviventes no local a pequena Hind Rajab e sua prima Layan.
Após o ataque inicial, chamadas de emergência foram realizadas pelas duas meninas na tentativa de socorro, desencadeando a coordenação para o envio de uma ambulância do Crescente Vermelho Palestino.
No entanto, assim que a equipe de resgate alcançou o local do incidente, o veículo de emergência também foi atingido por um disparo, que matou instantaneamente os dois paramédicos a bordo.
Dias depois, as equipes conseguiram retornar ao local e retiraram do automóvel os corpos dos sete integrantes da família Hamada, confirmando a morte das crianças Hind e Layan. Da ambulância destruída, também foram recuperados os corpos dos dois socorristas, encerrando o trágico episódio.

