O governo do presidente colombiano Abelardo De La Espriella entregou, nesta quarta-feira (19/8), aos órgãos de controle o chamado “Livro da Verdade”, relatório que aponta supostas irregularidades na administração do ex-presidente Gustavo Petro.
Segundo o vice-presidente José Manuel Restrepo, os problemas identificados podem representar entre 140 trilhões e 150 trilhões de pesos (cerca de R$ 240 bilhões), o equivalente a cerca de 7% do PIB colombiano.
O documento reúne informações de 22 setores do Estado e, até o momento, aponta cerca de 80 casos e mais de 300 alertas que ainda passam por auditoria. Entre os problemas citados estão falhas em contratos, informações incompletas ou falsas, concentração de recursos, desorganização administrativa e irresponsabilidade fiscal.
Restrepo afirmou que o levantamento é apenas “a ponta do iceberg” e que novas denúncias devem ser encaminhadas à Fiscalía, à Procuradoria e à Controladoria.
O governo também aponta uma suposta folha de pagamento paralela com cerca de 900 mil contratos, que teria representado gastos de aproximadamente 15 trilhões de pesos.





Presidente da Colômbia, Gustavo Petro
Sebastian Barros/NurPhoto via Getty ImagesAbelardo de la Espriella foi eleito presidente da Colômbia para o mandato 2026-2030
Camilo Moreno/Long Visual Press/Universal Images Group via Getty Images)O presidente da Colômbia, Gustavo Petro
Sebastian Barros/Long Visual Press/Universal Images Group via Getty ImagesAbelardo de la Espriella, eleito presidente da Colômbia
Lucas Aguayo Araos/Anadolu via Getty ImagesUNGRD
O caso ganha novos contornos diante do terremoto de 10 de agosto, que deixou o país em situação de emergência.
Restrepo afirmou que a crise fiscal dificulta a resposta à tragédia. Segundo ele, a margem disponível para endividamento chegou a cerca de 94% de utilização, enquanto as necessidades provocadas pelo terremoto podem alcançar dezenas de trilhões de pesos.
Leia também
Petro contesta
Gustavo Petro reagiu ao relatório e questionou seu rigor jurídico. O ex-presidente afirmou que os eventos apresentados pelo novo governo correspondem a políticas públicas de sua gestão e não constituem crimes.
Ele defendeu que eventuais irregularidades sejam investigadas e punidas pelas autoridades competentes.
“Nos casos em que houver algum crime, a punição merecida deve ser aplicada”, declarou.

