Belo Horizonte – O Sindicato dos Comerciários de Belo Horizonte e Região Metropolitana acompanha de perto os impactos sobre trabalhadores das Casas Bahia, com relação à recuperação judicial e ao processo de reestruturação da empresa, após o fechamento de pelos menos quatro lojas em BH.
O grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo com dívida de R$ 17,3 bilhões nesta segunda-feira (17/8).
“Até o momento, a informação que o Sindicato possui é de que quatro lojas das Casas Bahia foram fechadas na nossa região. O número de lojas fechadas na capital mineira foi informado pela própria empresa ao Sindicato e pode sofrer alterações à medida que o processo de reestruturação do grupo avance”, informou o secretário geral do sindicato Everton Ferreira Ataíde.
A entidade afirma estar preocupada principalmente com os efeitos dos fechamentos e das demissões sobre os trabalhadores e suas famílias. A prioridade, segundo o Sindicato, é garantir que os empregados sejam respeitados e tenham seus direitos trabalhistas preservados durante a recuperação judicial e a reorganização da empresa.
Orientação aos trabalhadores
Everton Ferreira disse que o sindicato tem orientado os funcionários sobre seus direitos. Ele destaca que, após a reforma trabalhista, a homologação da rescisão do contrato de trabalho pelo Sindicato deixou de ser obrigatória, o que, segundo a avaliação da entidade, dificulta o acompanhamento desse processo.
Outro ponto considerado pelo sindicato é que como as Casas Bahia estão em recuperação judicial, eventuais valores devidos aos trabalhadores podem ficar sujeitos às regras e condições definidas no próprio processo judicial.
“O sindicato está atento para que os direitos trabalhistas sejam corretamente apurados e, quando houver valores pendentes, sejam devidamente incluídos e cobrados no processo”, afirma Everton.
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Acompanhamento dos desligamentos
O secretário geral do sindicato, Everton Ferreira, informa que a entidade segue monitorando os desligamentos, o fechamento de unidades e o cumprimento das obrigações trabalhistas.
Sobre a possibilidade de recuperação financeira das Casas Bahia, o Sindicato diz esperar que o processo seja bem-sucedido e permita à empresa superar as dificuldades financeiras, preservando o maior número possível de postos de trabalho.
Apesar disso, a entidade considera que, neste momento, é difícil prever o resultado da recuperação financeira do grupo. Para o sindicato, qualquer reestruturação deve ocorrer de maneira responsável, buscando garantir a continuidade das atividades e, principalmente, a proteção dos trabalhadores e de seus direitos.
“A recuperação das Casas Bahia é relevante não apenas para a empresa, mas também para os milhares de trabalhadores que dependem desses empregos. Vamos continuar acompanhando o processo e cobrando transparência, diálogo e respeito aos direitos dos comerciários”, afirma a entidade.
Sobre as Casas Bahia
A empresa tenta renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações. Segundo o grupo, a decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador. O pedido foi protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, especializado em falências e recuperações judiciais.
Esta não é a primeira vez que a Casas Bahia recorre à recuperação judicial. Em 2024, a companhia realizou recuperação extrajudicial, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com instituições financeiras.
O grupo alega que entre os fatores que agravaram a situação estão:
- As taxas de juros elevadas;
- A restrição de crédito;
- O aumento dos custos financeiros;
- A pressão sobre o consumo;
- O capital de giro.
Plano de recuperação
O plano de reestruturação da Casas Bahia prevê o fechamento de 298 lojas (cerca de 28,7% da rede) e a demissão de 1,9 mil a 3 mil funcionários. O processo intensificou-se na semana passada, entre 13 e 14 de agosto de 2026.
O Metrópoles entrou em contato com a assessoria de comunicação da empresa, mas até o momento desta publicação, não fomos procurados. O espaço está aberto.

