Uma substância encontrada em frutas cítricas pode ajudar a reduzir sinais de envelhecimento do fígado. A conclusão vem de um estudo feito em camundongos e publicado em 12 de agosto na revista npj Aging.
O composto analisado é a hesperetina, presente em frutas como laranja, limão e lima. Nos experimentos, animais mais velhos que receberam a substância apresentaram melhora em marcadores ligados ao funcionamento do fígado.
O órgão desempenha funções essenciais no corpo, como processar nutrientes e eliminar substâncias tóxicas. Com o passar do tempo, porém, sua capacidade de funcionamento diminui, o que pode favorecer problemas como o acúmulo de gordura.
Como o composto atua no organismo
Os pesquisadores focaram em um gene chamado Cisd2, ligado à regulação do metabolismo e ao envelhecimento celular. A atividade desse gene tende a cair com a idade.
Nos testes, camundongos idosos receberam doses diárias de hesperetina por cinco meses. Ao final do período, os níveis de Cisd2 no fígado desses animais ficaram próximos aos observados em animais jovens. Também houve redução de gordura no fígado, inflamação e danos celulares.
Em outra etapa, os cientistas observaram que o efeito depende da presença desse gene. Animais modificados para não expressar Cisd2 não apresentaram melhora com o uso da substância.

Resultados ainda são iniciais
Análises adicionais indicaram que a hesperetina também altera a atividade de outros genes, aproximando o funcionamento do fígado de um padrão mais jovem. A equipe identificou ainda a participação de proteínas envolvidas na regulação metabólica nesse processo.
Leia também
Os pesquisadores também analisaram amostras de fígado humano e verificaram que a atividade de genes relacionados diminui com a idade, o que sugere que mecanismos semelhantes podem ocorrer em pessoas.
Apesar dos resultados, os testes foram feitos apenas em animais. Ainda não há evidências de que o mesmo efeito ocorra em humanos, nem de qual seria a dose segura. Os autores afirmam que mais estudos são necessários antes de qualquer aplicação clínica, mas apontam que a substância pode ser investigada no futuro como parte de estratégias voltadas à saúde do fígado.

