Belo Horizonte – O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) acusou nesta terça-feira (18/8) a família do presidente Lula de “fazer negócios” com dinheiro público, em referência a mensagens trocadas entre um filho do presidente e a lobista Roberta Luchsinger. As mensagens em poder da Polícia Federal foram reveladas pelo Metrópoles na coluna de Tácio Lorran.
Em agenda em Belo Horizonte, Flávio disse que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete de Lula, “abriu as portas” de vários ministérios para negócios da família de Lula e afirmou que ele será responsabilizado.
Ao se dirigir aos aposentados brasileiros lembrando o escândalo do INSS, Flávio disse: “Podem ter a certeza que nós vamos proteger vocês, ninguém vai tocar no contracheque de vocês e vamos responsabilizar aquelas pessoas que tiveram a pachorra de roubar dinheiro de aposentado, como, ao que tudo indica, é o filho do Lula, é o Marcola do Lula. Esse Marcolão vai ser exposto e vai ser responsabilizado por abrir as portas de vários ministérios para que a família do Lula fizesse negócio usando o dinheiro público”.
Marcola entrou no foco das investigações após receber R$ 249 mil de Roberta Luchsinger, investigada no caso das fraudes do INSS e amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Ele afirma que o valor foi um empréstimo pessoal, já quitado, e nega irregularidades. Flávio passou a chamá-lo de “Marcola do Lula” para associá-lo politicamente ao presidente e às denúncias.
“Nosso futuro é na Suíça”
Conforme mostrou o colunista Tacio Lorran, a PF tem em mãos mensagens enviadas pelo próprio Lulinha a Roberta, investigada por suspeitas de tráfico de influência e de usar a proximidade com o filho do presidente da República para facilitar negócios e acesso ao governo.
As mensagens mostram que os dois tratavam explicitamente de fazer negócios e de atuar em lobby junto ao núcleo duro do gabinete de Lula. Lulinha não somente sabia da atuação e dos interesses de Roberta, como também comentava, coordenava e até participava de reuniões.
Em um dos diálogos interceptados, que aconteceu em 22 de março de 2024, Roberta diz a Lulinha que os dois trabalham em nível diferenciado e que o futuro deles é a Suíça.
Na mesma conversa, o filho do presidente revela que participa de reuniões com o Marcola, e o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger.
Naquela ocasião, Marcola era braço direito de Lula, despachava na antessala do presidente e fazia os principais contatos com ministros. Já Berger, figura histórica do PT, foi quem abriu as portas do Ministério da Saúde para o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS – que tentou emplacar contrato milionário para a compra em larga escala de cannabis medicinal pelo SUS.
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Roberta Luchsinger chegou a receber repasses do Careca do INSS que somam R$ 1,5 milhão. Em uma das transferências, o empresário informa a um interlocutor que o dinheiro era destinado ao “filho do rapaz”, possivelmente se referindo a Lulinha, segundo a Polícia Federal.
Flávio diz que estimulou rivais da direita e reclama
Durante a vísita à BH, o senador Flávio, também, afirmou nesta terça-feira (18/8) ter estimulado as candidaturas de seus rivais da direita e reclamou do que chamou de “estratégia equivocada” de nomes como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) de fazer “ataques” contra sua candidatura.
“Eu estou sempre aberto a conversa, inclusive estimulei as candidaturas de praticamente todos eles, tá? Porque eu sempre entendi que todo mundo tem que interiorizar que é uma questão de sobrevivência do país, gente. Ou o Brasil vence ou o PT vai acabar com o país”, afirmou Flávio durante coletiva de imprensa em Belo Horizonte, ao ser questionado sobre a “união da direita”.
Flávio demonstrou descontentamento com o rumo adotado por adversários do mesmo campo ideológico. “Se alguns optam por querer me atacar, é uma estratégia deles que eu acho equivocada. E eles estão vendo na pesquisa que realmente eu tenho razão e eles não. Agora, todos, quando se conscientizarem qual é a função de cada um nesse jogo, vai todo mundo chamar para o mesmo lado, de resgatar o Brasil e evitar que a tragédia se concretize no país, que seria mais um governo do PT”, disse Flávio Bolsonaro.
Na conversa com a imprensa em BH, Flávio garantiu ainda que os pesquisas internas de sua campanha já o mostram à frente de Lula. “Já estamos superando [o Lula], meu amigo. O nosso tracking já dá na frente, e ele [Lula] sabe disso, por isso que bateu de frente […]”, disse
Na maioria das pesquisas que são registradas, Flávio aparece em empate técnico com Lula em eventual disputa de segundo turno, mas com o petista numericamente à frente.
Em pesquisa Quaest divulgada na sexta-feira (14/8), a mais recente a medir a disputa presidencial, Lula aparece com 43% das intenções de voto em eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que registrou 40%. A diferença de três pontos está dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais, o que configura empate técnico.
Agenda em Minas
Flávio e o deputado federal Nikolas Ferreira convocaram apoiadores para um ato na Rua Úrsula Paulino, no bairro Betânia, na região Oeste da capital mineira.
Por volta das 9h, os dois chegaram ao local e seguiram em um caminhão até o comitê de campanha de Nikolas.
Flávio também tinha agenda prevista em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, na segunda-feira (17/8), mas cancelou a visita. Segundo a assessoria do candidato, o voo que sairia de Brasília não conseguiu decolar devido às condições meteorológicas.

