Para o empresário Marcelo Conde, a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, no último sábado (15), deveria servir de alerta sobre a atuação da Corte.
Conde, de 66 anos, é investigado por supostamente ter comprado e vazado dados da declaração de Imposto de Renda da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. Ele nega ter cometido o crime.
Alvo de buscas da Polícia Federal (PF), Conde foi incluído no chamado “inquérito das fake news”, relatado pelo próprio Moraes.
“É uma situação tão absurda que até o presidente da República aponta os excessos e a discricionariedade de alguns juízes do STF, e nada acontece. A sociedade e os Poderes estão acovardados”, disse ele à coluna.
No início deste mês, a defesa de Conde apresentou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um pedido para que o caso não seja julgado por Moraes. Os advogados alegam que o ministro deveria se declarar impedido por ser casado com a suposta vítima, Viviane Barci.
O pedido poderá ser analisado ainda nesta semana.
Anteriormente, a defesa de Conde já havia solicitado ao próprio Moraes que deixasse a relatoria do caso. Segundo os advogados, não houve resposta.
Lula: Até na ditadura me deixaram ir a velório, ao contrário de Toffoli
No sábado (15), Lula fez uma crítica contundente ao ministro do STF Dias Toffoli durante seu primeiro ato de campanha.
Em discurso na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), o presidente relembrou o período em que ficou preso, em 1980, durante a ditadura militar, por liderar uma greve de trabalhadores da indústria no ABC Paulista.
À época, o então diretor-geral do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), Romeu Tuma, permitiu que Lula deixasse a prisão para acompanhar o velório de sua mãe, Eurídice Ferreira, conhecida como Dona Lindu.
Em contraste, Lula lembrou que Toffoli não autorizou sua saída da Superintendência da Polícia Federal, em janeiro de 2019, para acompanhar o velório de seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá.
“No tempo da ditadura militar, um delegado de polícia permitiu que eu saísse da cadeia para vir no enterro da minha mãe. Agora, no regime democrático, um juiz, um ministro que eu indiquei não permitiu que eu saísse da cadeia para vir no enterro do meu irmão Vavá”, disse Lula no palanque.
“Os homens não são medidos por épocas. Os homens são medidos pelo caráter, pela dignidade, pela criação que ele teve de berço”, acrescentou.
A declaração foi interpretada por aliados de Lula como um sinal de que, caso seja reeleito, o presidente não deverá atuar para impedir o avanço de um eventual pedido de impeachment contra Toffoli.

