A Meta não está cumprindo a resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que proíbe as redes sociais de recomendar perfis oficiais de candidatos durante o período eleitoral. Foi essa regra, aplicada pelo X (ex-Twitter), a justificativa dada por uma autoridade dos Estados Unidos para criticar uma suposta censura na eleição brasileira.
A regra não impõe qualquer restrição aos candidatos, nem impede que se contrate impulsionamento pago. Ela se aplica somente às plataformas de conteúdo, que não podem escolher recomendar perfis de candidatos ou entregar conteúdo deles a quem não os segue, gerando desequilíbrio no pleito.
A resolução, de 2019, recebeu a inclusão, em 2024, de artigo que diz que “os provedores de aplicação que utilizarem sistema de recomendação a usuárias e usuários deverão excluir dos resultados os canais e perfis informados à Justiça Eleitoral e, com exceção das hipóteses legais de impulsionamento pago, os conteúdos neles postados”.
Este ano foi incluído dispositivo que proíbe as plataformas de “ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidatas(os), campanhas, partidos políticos, federações ou coligações”.
A Meta vem descumprindo isso. A coluna fez um primeiro teste no Instagram na tarde desta segunda-feira (17) e, das 30 primeiras postagens no feed, três eram de perfis que o perfil da coluna não segue e que foram indicados, pelos respectivos candidatos, como perfis oficiais ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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Como é padrão no Instagram quando o algoritmo supõe interesse do usuário por um assunto, no teste seguinte foram 13 recomendações de candidatos entre as 30 primeiras postagens mostradas no feed. A mesma irregularidade se repetiu no Facebook e em outras contas de Instagram acessadas pela coluna e por outros jornalistas da redação do Metrópoles.
No domingo (16), no primeiro dia de campanha eleitoral (quando os candidatos passaram a poder pedir votos e divulgar seus números), o X anunciou as mudanças no seu algoritmo para se adaptar às regras da eleição brasileira.
“A partir de 16 de agosto, a legislação eleitoral brasileira exige que provedores que usam sistema de recomendação excluam das recomendações as contas oficiais de candidatas e candidatos registradas na Justiça Eleitoral e as publicações dessas contas. […] Os candidatos oficiais não estão suspensos e seu conteúdo vai permanecer disponível em seus perfis. Essa medida deverá afetar a visibilidade e alcance dos perfis e de seus conteúdos”, informou o X em nota ao anunciar a mudança.
Procurada pela coluna, a Meta informou que “atua em conformidade com as resoluções do TSE e que está adotando todas as medidas previstas” e que “algumas delas estão sendo implementadas a partir da divulgação das informações oficiais, em 16 de agosto de 2026”.
Nesta segunda-feira (17), a empresa alterou texto publicado em seu blog sobre o trabalho da Meta para as eleições de 2026 e disse que, em cumprimento portaria nº 463, de 27 de julho de 2026, apresentou na última semana um Plano de Conformidade, que detalha as medidas adotadas pela Meta para prevenir e mitigar riscos à integridade do processo eleitoral em nossas plataformas.
“A entrega reforça nosso compromisso contínuo com eleições seguras no Brasil — um trabalho que construímos e aprimoramos a cada ciclo, em diálogo permanente com as autoridades eleitorais e a sociedade”, afirmou a empresa.

