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Rivais exploram inexperiência de Cleitinho para desgastá-lo em MG

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Rivais exploram inexperiência de Cleitinho para desgastá-lo em MG

Belo Horizonte — Com a candidatura ao governo de Minas retomada após uma crise com o próprio partido, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) tornou-se de vez alvo dos adversários. O plano dos principais concorrentes para tentar frear o favorito é explorar sua falta de experiência no Executivo e apresentá-lo como um político mais preparado para as redes sociais do que para administrar o estado.

Cleitinho passou pela Câmara Municipal de Divinópolis, pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e chegou ao Senado em 2023. Mas nunca comandou uma prefeitura, secretaria ou governo. Essa lacuna começa a ser usada por candidatos que apresentam como credencial suas passagens por cargos executivos.

Além da falta de experiência administrativa, os adversários pretendem explorar as idas e vindas que marcaram a confirmação da candidatura e questionar a viabilidade financeira das propostas defendidas pelo senador. Cleitinho, por sua vez, tenta transformar os ataques em mais um elemento de sua imagem antissistema.


Como os rivais pretendem atacar Cleitinho

  • Cleitinho exerceu mandatos de vereador, deputado estadual e senador, mas nunca comandou uma estrutura do Executivo;
  • Adversários tentarão associar sua popularidade à produção de vídeos e questionar sua capacidade de transformar denúncias e promessas em políticas públicas;
  • Medidas como a redução de tarifas de pedágio devem ser confrontadas com seus custos e fontes de financiamento;
  • A crise com o Republicanos será usada para levantar dúvidas sobre firmeza, previsibilidade e capacidade de articulação;
  • Kalil, Simões e Patrus vão apresentar suas experiências administrativas como contraponto;
  • Resposta de Cleitinho: o senador aposta na proximidade com o eleitor, na renovação política e no discurso de que não pertencer à gestão tradicional é uma qualidade. Favorito nas pesquisas

Cleitinho lidera os cenários testados pelos principais institutos desde a pré-campanha. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada em 28 de julho, apareceu com 35% das intenções de voto, seguido por Alexandre Kalil (PDT), com 12%, Patrus Ananias (PT), com 10%, e Mateus Simões (PSD), com 9%. Os três estavam tecnicamente empatados dentro da margem de erro.

A vantagem transforma Cleitinho no principal alvo da largada da campanha.

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Candidato ao governo de Minas Alexandre Kalil
Cleitinho Azevedo e Gabriel Azevedo comendo pão
Patrus Ananias (PT)
Metrópoles
Cleitinho confirma que concorrerá em Minas
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Cleitinho confirma que concorrerá em Minas

Reprodução/Instagram
Candidato ao governo de Minas Alexandre Kalil
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Candidato ao governo de Minas Alexandre Kalil

Reprodução/Redes Sociais
Cleitinho Azevedo e Gabriel Azevedo comendo pão
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Cleitinho Azevedo e Gabriel Azevedo comendo pão

Reprodução/Redes Sociais
Patrus Ananias (PT)
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Patrus Ananias (PT)

Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Segundo colocado na maioria dos cenários, Kalil já começou a fazer essa comparação publicamente. Prefeito de Belo Horizonte entre 2017 e 2022, ele recorre à passagem pelo Executivo municipal para questionar se Cleitinho está preparado para comandar um estado com 853 municípios.

“Ele [Cleitinho] vai falar o que pensa, eu falo o que eu já fiz”, disse Kalil durante sabatina promovida pela Folha de S.Paulo e pelo UOL nessa quinta-feira (13/8).

O ex-prefeito também citou ações de sua administração nas áreas de saúde, educação e segurança e lembrou que comandou um orçamento bilionário.

Simões cobra as contas

Com mais cuidado, porque ainda não abandonou completamente a possibilidade de contar com Cleitinho como aliado em um eventual segundo turno, Mateus Simões também começou a questionar a viabilidade das propostas do senador.

Em evento nesta semana, o governador lembrou que Cleitinho promete reduzir valores cobrados em pedágios e perguntou de onde viriam os recursos necessários para bancar a medida. O ataque busca deslocar o debate da popularidade da proposta para sua execução e seu impacto sobre as contas estaduais.

Simões apresenta como credencial a participação nos dois governos de Romeu Zema (Novo). Antes de assumir o governo, em março deste ano, foi secretário-geral do estado e vice-governador. Sua campanha pretende defender a continuidade da gestão e argumentar que Minas não pode ser entregue a alguém sem experiência administrativa.

Patrus busca recuperar a memória

Pelo lado do PT, Patrus Ananias também deve recorrer à experiência administrativa para se diferenciar de Cleitinho. O deputado federal foi prefeito de Belo Horizonte entre 1993 e 1996 e ministro do Desenvolvimento Social e do Combate à Fome durante o governo Lula.

Patrus pode apresentar programas sociais e sua passagem pela prefeitura como provas de capacidade de gestão. A dificuldade será recuperar essa trajetória na memória do eleitor: sua administração em BH terminou há três décadas, antes mesmo do nascimento de parte dos mineiros que votarão neste ano.

A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha será usada para ampliar o conhecimento de Patrus e associá-lo às políticas sociais dos governos petistas. Ao contrário de Kalil, que evita declarar apoio presidencial, o candidato do PT pretende nacionalizar a disputa e se apresentar como representante direto de Lula em Minas.

Cleitinho tenta se vacinar

Cleitinho já percebeu o ataque. Ao confirmar sua candidatura na reta final, após o embate interno no Republicanos, mencionou espontaneamente “a experiência administrativa que alguns falam que eu não tenho”.

O senador tentou responder com um discurso de proximidade, renovação e defesa de um governo “mais humano”. Também afirmou que pretende preservar o que considera positivo na atual administração e corrigir o que, em sua avaliação, não funciona.

A resposta indica que Cleitinho não pretende competir com os currículos administrativos dos adversários. Sua aposta é convencer o eleitor de que a conexão com a população, a fiscalização dos governos e a trajetória fora das estruturas tradicionais compensam a ausência de experiência no Executivo.

Ataque pode beneficiar Cleitinho

A estratégia dos adversários não está livre de riscos. Ao insistirem conjuntamente na falta de experiência, Kalil, Simões e Patrus podem ajudar Cleitinho a reforçar justamente a imagem que o levou à liderança: a de um político diferente daqueles que já governaram.

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