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Deputados brasileiros tentam realizar missão de negócios na Ucrânia

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Deputados brasileiros tentam realizar missão de negócios na Ucrânia

Identificar e explorar oportunidades de investimento nas áreas de comércio, tecnologia e energia. É esse o objetivo de uma viagem internacional para a Ucrânia idealizada pelos deputados federais General Pazuello (PL), General Girão (PL) e Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL), mas que enfrentam obstáculos para tirar ideia do papel.

A missão internacional foi oficializada em um requerimento apresentado na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados em junho deste ano.

Segundo os parlamentares, a reconstrução da Ucrânia é uma oportunidade de cooperação para diversos nações e empresas. No requerimento, os deputados afirmaram que o Brasil pode auxiliar na reestruturação do setor energético ucraniano, cujos ataques da Rússia provocaram danos e perdas que superam a casa dos US$ 50 bilhões (cerca de R$ 260 bilhões).

“Com sua expertise, o Brasil pode colaborar com a Ucrânia na redução da dependência de combustíveis fósseis importados, na implementação de programas de mistura de etanol na gasolina e biocombustíveis, na reconstrução da rede elétrica, com foco em redes descentralizadas e limpas”, afirmaram Pazuello, Girão e Luiz Philippe no requerimento apresentado na CREDN.

Em contrapartida, os três deputados argumentaram que o Brasil pode exportar os conhecimentos adquiridos pela Ucrânia na área de drones durante os últimos anos de guerra — tanto para uso militar quanto civil.


O que os deputados querem fazer na Ucrânia?

  • Realizar encontros com o Parlamento da Ucrânia, o Ministério de Energia e a agência nacional de reconstrução ucraniana.
  • Identificar projetos prioritários nos segmentos de geração de energia limpa, redes de distribuição elétrica, biocombustíveis e armazenamento energético, nos quais empresas brasileiras possam atuar.
  • Promover iniciativas de cooperação técnica e comercial entre os dois países.
  • Avaliar mecanismos de financiamento disponíveis a nível nacional e multilateral para projetos de parceria entre os dois países.

Viagem encontra resistência na Câmara dos Deputados

Mesmo aprovada na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN), a viagem dos deputados federais enfrenta resistência, e não tem data para acontecer. Para se tornar realidade, a missão precisa ser aprovada pela Presidência da Câmara dos Deputados, nas mãos do deputado Hugo Motta (Republicanos). 

Apesar de conversas com parlamentares nos últimos meses para alinhar a missão, interlocutores da diplomacia ucraniana enxergam com ceticismo o possível aval de Motta para a viagem de Pazuello, Girão e Luiz Philippe.

Na avaliação de diplomatas ucranianos ouvidos pelo Metrópoles sob condição de reserva, a aproximação do presidente da Câmara dos Deputados com o presidente Lula é um indício claro que de nada deve acontecer nos próximos meses. Isso porque, explicam, o governo federal pouco tem feito para se envolver em iniciativas relacionadas à Ucrânia — postura que deixou o lado ucraniano insatisfeito e resultou no afastamento diplomático entre os dois países no último ano. 

“Vocês viram que o Hugo Motta declarou apoio à Lula dias atrás?”, ironizou um diplomata ucraniano. “A viagem não deve acontecer antes das eleições. Depois disso, talvez em novembro ou dezembro, nós podemos retomar as conversas sobre a viagem”.

Questionado pela reportagem sobre o assunto, o atual presidente da CREDN e um dos parlamentares que tentam realizar a viagem, deputado federal Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL), foi mais duro e acusou Lula e Motta de serem coniventes com a Rússia. 

“Nada do que aprovarmos [na comissão] vai passar na Câmara, porque o Hugo Motta obedece o governo Lula, que é alinhado com a Rússia de Vladimir Putin”, afirmou o parlamentar.

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