Ao saber que não pôde registrar seu programa de governo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) porque ali constava que ele era filiado ao partido Missão, e não ao Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro apressou-se a culpar “o sistema”. Que sistema? Não disse. Limitou-se a repetir o pai, que, ao se eleger presidente da República em 2018, prometeu destruir “o sistema” para depois pôr outro em seu lugar. Qual seria esse outro? Jair Bolsonaro também não disse. Mas, dada a sua tentativa fracassada de golpe, é possível intuir do que se tratava: um regime com todo jeito de ditadura.
A vantagem de Flávio Bolsonaro sobre os demais candidatos da direita à Presidência da República decorre unicamente do fato de ele ser filho de quem é. Não fosse isso, estaria, como os outros, patinando nas pesquisas de intenção de voto. Suas ralas chances de derrotar Lula, no primeiro ou no segundo turno, decorrem do mesmo fato.
Agradeça, Bolsonaro, o pai, a sorte de não ter enfrentado Lula quando se candidatou a presidente pela primeira vez. (Lula jazia preso numa cela da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.) Por mais que tenha sido dolorosa, agradeça a facada que levou em Juiz de Fora a poucos dias da eleição. Quatro anos depois, foi derrotado.
Bolsonaro, o filho primogênito, não tem o que agradecer. Ficará sem mandato. Perderá o foro especial de só poder ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal, o que não é pouca coisa devido ao seu passado. E seguirá carregando o fardo de ter que se reapresentar em 2030 como o herdeiro político de uma família decadente. Ou talvez pior: de perder para a madrasta, a quem detesta, a condição de dono do espólio do seu pai.
Nada seria mais humilhante para ele, que tanto já humilhou Michelle, a ponto de por ela ter sido denunciado publicamente. A misoginia de Flávio está no seu DNA e será para sempre mais uma pedra no seu caminho, vá para onde for.

