Após a ordem de busca e apreensão contra o ex-secretário de Estado Raimundo Cutrim, apontado como a fonte do jornalista Luís Pablo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino disse, nesta quinta-feira (13/8), que “suportou calado” as agressões e injustiças envolvendo o caso.
O magistrado e parentes são acusados em reportagens do comunicador investigado de uso irregular de carros oficiais.
“Como já tive oportunidade de esclarecer, a minha atual função de juiz impede-me de participar cotidianamente de ‘apaixonados’ debates públicos. Isso inclui suportar calado agressões e injustiças, assistir a distorções monumentais quanto a fatos, acompanhar perplexo a exposição de interpretações absurdas”, escreveu Dino em publicação nas redes sociais.
Nessa terça-feira, o ministro Alexandre de Moraes determinou busca e apreensão contra Raimundo Cutrim. Em março, ele também autorizou ações na casa de Luís Pablo, em São Luís.
Dino afirmou que o cargo o impede de fazer mais manifestações públicas.
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“Em outras funções podia me pronunciar abertamente, com mais frequência. Agora, isso pode até acontecer, mas muito excepcionalmente. Faz parte do ônus do meu ofício”, declarou.
“De todo modo, a minha biografia e a minha atuação profissional, em 37 anos de serviço público, são a minha maior defesa”, concluiu Dino.
Entenda o caso
- Jornalista é publicou matérias acusando Dino de usar carros oficiais do Maranhão.
- Luís Pablo é acusado de perseguir o ministro do STF.
- Moraes determinou busca e apreensão contra fonte de jornalista.
- Dino disse que suportou injustiças e agressões.
- Investigação está sob sigilo.





Jornalista Luís Pablo é alvo da PF
ReproduçãoMinistro Flávio Dino se disse alvo de injustiças e agressões
Rosinei Coutinho/STFDino foi acusado de usar irregularmente veículos do Maranhão
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFotoAlexandre de Moraes autorizou busca e apreensão contra secretário
Igo Estrela/Metrópoles @igoestrelaAcusação de perseguição
A Polícia Federal afirmou que, desde novembro de 2025, Luís Pablo passou a publicar conteúdos com fotos e dados do veículo funcional de Dino.
O jornalista também postou que o veículo, que oficialmente pertence ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), estava sendo usado pelos parentes do integrante do STF.
Associações de imprensa manifestaram preocupação com a decisão de Moraes de investigar o profissional, que é acusado de perseguir Dino.
Segundo o relatório da PF, a fonte das reportagens foi descoberta após acesso à conta de WhatsAppWeb do jornalista. A conta foi acessada por meio do notebook dele.
A partir das mensagens, os investigadores concluíram que Cutrim teria fornecido a Luís Pablo informações e imagens que basearam a reportagem do jornalista, publicada em novembro de 2025, sobre o uso de veículos oficiais utilizados por Flávio Dino e familiares do ministro.
Segundo a PF, Luís Pablo também foi alvo de investigação em 2017 por suposta prática de extorsão para não divulgar dados sobre operações policiais.

