Belo Horizonte — A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) afirmou que não comemora a condenação a dois anos de prisão da influenciadora baiana Bianca Barreto por falas consideradas transfóbicas contra ela. Segundo a parlamentar, decisões desse tipo podem produzir um “efeito contrário” ao que pretendem proteger.
Duda se manifestou nessa terça-feira (11/8), após tomar conhecimento da condenação. A deputada afirmou que não conhece Bianca, não tinha conhecimento das declarações feitas pela influenciadora e não foi responsável por procurar a Justiça.
Recebi com surpresa a notícia de que uma influenciadora foi condenada a dois anos de prisão por falas ofensivas contra mim. E quero falar sobre isso com muita clareza.
Primeiro: eu não conheço essa influenciadora, não tenho conhecimento dessas falas e não fui eu quem procurou a…
— Duda Salabert (@DudaSalabert) August 11, 2026
“Recebi com surpresa a notícia de que uma influenciadora foi condenada a dois anos de prisão por falas ofensivas contra mim. E quero falar sobre isso com muita clareza. Primeiro: eu não conheço essa influenciadora, não tenho conhecimento dessas falas e não fui eu quem procurou a Justiça”, afirmou.
Segundo Duda, ela soube pela imprensa que a ação foi movida pelo Ministério Público da Bahia. A parlamentar ressaltou ainda que não participou do processo, não chegou a ser procurada e que a decisão é passível de recurso.
A influenciadora foi condenada, em primeira instância, a dois anos de reclusão, em regime semiaberto, e ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais por usar propositalmente pronomes masculinos para se referir à deputada.
A decisão foi assinada pela juíza Eduarda de Lima Vidal, da 9ª Vara Criminal de Salvador. Com base na Lei do Racismo, a magistrada considerou que a conduta configurou transfobia, uma vez que Bianca utilizou intencionalmente o gênero masculino ao se referir a Duda, que é uma mulher trans.
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“Homem é homem, mulher é mulher”, afirmou a influenciadora no vídeo que deu origem ao processo. Na publicação, Bianca também se referiu a Duda como “um cara que diz que é uma mulher trans, mas é casado com uma mulher e tem um filho ou filha”.
Na sentença, a juíza utilizou jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) que enquadra atos de homofobia e transfobia na Lei do Racismo.
“Não comemoro”
Ao comentar a condenação, Duda afirmou que não celebra a decisão e questionou os efeitos de punições desse tipo. “Não comemoro a condenação. E, no fundo, acho que decisões como essa acabam produzindo um efeito contrário àquilo que pretendem proteger”, declarou.
A deputada disse ainda que não entrou na política para concentrar o mandato em discussões sobre ataques direcionados a ela ou sobre sua identidade de gênero. Duda citou educação pública, emprego, salário, meio ambiente, mineração, segurança, saúde e o futuro das cidades entre os assuntos que pretende priorizar.
“Eu não entrei na política para passar o meu mandato discutindo quem me ofendeu, quem falou de mim, quem gosta ou não gosta de quem eu sou. Eu entrei na política para discutir a vida real das pessoas”, afirmou.
A parlamentar também afirmou que não falava em nome do movimento trans, mas em caráter pessoal. Segundo ela, há uma tentativa de transformar a presença de pessoas trans na política em uma discussão permanente sobre identidade e conflito.
“E isso é tudo que uma parte da direita quer: que uma parlamentar trans seja obrigada a falar o tempo inteiro apenas sobre ser trans. Eu quero ter o direito de discutir o orçamento do país. De discutir educação, economia, clima, desigualdade. De discutir também das questões trans”, escreveu.
Duda ressaltou, porém, que sua posição não significa minimizar a gravidade da transfobia. A deputada afirmou que pessoas trans e travestis continuam sendo vítimas de violência e discriminação no Brasil e defendeu a educação e a presença de pessoas trans em diferentes espaços como caminhos para enfrentar o problema.
Influenciadora rebate Duda
Após a manifestação da deputada, Bianca Barreto rebateu Duda nas redes sociais. “Não compro o discurso de Duda!”, escreveu a influenciadora. Bianca questionou a posição da parlamentar e alegou haver uma contradição entre a declaração sobre sua condenação e uma ação anteriormente movida por Duda contra o deputado federal Nikolas Ferreira.
“Você disse não se alegrar com o que houve comigo, mas o precedente que me condenou foi aberto quando você processou Nikolas Ferreira pelo mesmo motivo”, afirmou Bianca.
A influenciadora também argumentou que mulheres enfrentam diariamente problemas relacionados à desigualdade e criticou o que classificou como perda de espaços. “Queremos ter nossos espaços respeitados, digo isso como mulher cis nordestina e negra!”, escreveu.
A condenação é de primeira instância e cabe recurso.

