O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10/8) não tem relação com o sofrido pela vizinha Venezuela em junho e que deixou 6,3 mil mortes. Segundo o Serviço Geológico Colombiano, os dois eventos têm dinâmicas diferentes, envolvendo placas tectônicas distintas.
Enquanto o abalo sísmico desta segunda é produto da subducção (ou afundamento) da placa tectônica de Nazca sob a Sul-americana, o que atingiu a Venezuela envolveu a interação da placa Caribenha com a Sul-americana, que implica um movimento lateral (transcorrente) de uma em relação à outra.
Um terremoto ocorre quando uma placa tectônica, que são grandes blocos rochosos que formam a camada externa da Terra, se choca com outra. A América do Sul está posicionada sobre a placa Sul-americana, por isso, no Brasil não há terremotos fortes.
No entanto, as bordas dela costumam interagir com outras placas, como a de Nazca, que está situada no oceano Pacífico oriental e é responsável pela formação da Cordilheira dos Andes, e a do Caribe, que abrange o Mar do Caribe e parte da América Central.
Essa é a razão pela qual países como Colômbia, Venezuela e Chile são tão atingidos por abalos sísmicos. Segundo o Serviço Geológico Colombiano, a Colômbia tem, em média, 2500 sismos por mês. A maioria não é perceptível para as pessoas, apenas os sismógrafos os detectam.
O terremoto desta segunda-feira foi o mais forte a atingir o país na última década. O Serviço Geológico Colombiano, contudo, afirma que, apesar desses dois eventos na mesma região tão próximos um do outro, não há nenhuma evidência de que tremores estejam ficando mais comuns.
“Não é verdade que agora haja maior ocorrência de sismos do que antes; simplesmente somos mais conscientes de sua ocorrência, devido ao fato de que atualmente existem mais recursos e ferramentas para detectá-los e divulgá-los”, explicou a instituição.
Terremoto na Colômbia
Após o terremoto, o Serviço Geológico do país registrou pelo menos 47 réplicas com uma magnitude máxima de 4,8. Ainda são esperadas que elas continuem acontecendo nos próximos dias. As réplicas são movimentos sísmicos de magnitude menor, posteriores a um sismo e que ocorrem na mesma região.
Até o momento, 132 pessoas morreram e 570 pessoas ficaram feridas, segundo balanço preliminar divulgado pela Associação Colombiana de Capitais (Asocapitales).
O epícentro do abalo sísmico foi em San José del Palmar, em Chocó. Cinco das 32 capitais colombianas permanecem em alerta vermelho devido à gravidade dos impactos: Pereira, Cali, Quibdó, Manizales e Armenia.

