O mercado financeiro enxerga espaço para ao menos mais um corte dos juros no Brasil, ainda que o comunicado da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa de juros a 14% ao ano, não tenha dado indicações dos próximos passos da condução da política monetária.
Especialistas esperam uma sinalização sobre o futuro da taxa básica de juros, a Selic, na ata do colegiado, que será publicada nesta terça-feira (11/8).
No comunicado, o Copom afirma que o cenário atual está marcado por um significativo aumento de incerteza e desancoragem das expectativas, o que demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.
“O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirma o texto, sem dar indicações dos próximos passos.
Especialistas avaliam que o comunicado evita ruídos na comunicação e reconhece os riscos e desafios que serão analisados na próxima reunião, mas sem dar qualquer indicação mais objetiva sobre a condução da política monetária.
Para a Warren Investimentos, o texto reafirmou o compromisso da autoridade monetária de convergir a inflação para um patamar ao redor do centro da meta e de manter o nível adequado de restrição monetária para esse objetivo.
“O Copom entregou uma decisão em linha com a precificação majoritária do mercado e, embora tenha buscado reforçar a mensagem de cautela na condução da política monetária, continuou sinalizando que, havendo espaço, deverá prosseguir com o processo de calibragem”, avalia.
Segundo o economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, diante da incerteza elevada, o Copom optou pela serenidade e cautela, sem sinalizar o que pode vir pela frente. “A porta ficou aberta para mais um corte em setembro, mas a decisão dependerá da evolução dos dados”, acredita ele.
A expectativa é que a ata desta terça esclareça se realmente existe mais espaço para o ciclo de flexibilização monetária e qual deve ser a magnitude dos ajustes.
Entenda a situação dos juros no Brasil
- A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação;
- Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do Banco Central é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país;
- Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país;
- Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores;
- Projeções mais recentes mostram que o mercado desacredita em um cenário no qual a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula e o mandato do presidente Gabriel Galípolo à frente do BC.







