Belo Horizonte – Renê da Silva Nogueira Júnior, de 48 anos, preso pelo assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, foi autorizado a cursar, na modalidade Ensino a Distância (EaD), a faculdade de Gestão Financeira. O crime completará um ano nesta terça-feira (11/8).
O Presídio de Caeté terá que garantir que a internet seja utilizada apenas para os estudos, deve ser responsável por uma rígida supervisão. Qualquer descumprimento da regra, a autorização será suspensa e acarretará em falta disciplinar.
De acordo com a defesa de Renê, “no âmbito processual penal, o estímulo à atividade acadêmica funciona como um dos principais vetores de reinserção produtiva e dignidade humana, afastando o indivíduo da ociosidade e mantendo-o integrado à ordem social, cita nota.
A nota enviada ao Metrópoles também afirma que o fato de Renê voltar a estudar não fragiliza a aplicação da lei penal.
“Essa atividade não interfere, não obstaculiza e tampouco fragiliza a aplicação da lei penal; ao contrário, harmoniza-se perfeitamente com o cumprimento de eventuais obrigações processuais e demonstra o firme propósito do réu em capacitar-se profissionalmente e evoluir intelectualmente sob a égide da presunção de inocência, enquanto aguarda o regular e soberano desfecho do processo”, cita.
Assinam a nota os advogados Alexandre de Lima e Silva, José Henrique, Bruno Correa Lemos, Lucas Salmon Pereira Carvalho e Bruno de Melo Freitas.
Quando o crime ocorreu, o Metrópoles contatou cada uma das instituições de ensino citadas por Renê em seu perfil no LinkedIn (rede social voltada para o mercado de trabalho) e constatou que parte das informações era inventada ou distorcida.
Troca de defesa
Na última sexta-feira (7/8), foi comunicado que o advogado Bruno Rodrigues não representa mais Renê. Ele contratou os advogados que estão trabalhando na defesa da diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, que responde pelo duplo latrocínio do casal Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.
Um ano da morte de Laudemir
O gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, foi assassinado a tiros enquanto trabalhava, no dia 11 de agosto de 2025, no Bairro Vista Alegre, em Belo Horizonte, Minas Gerais, após uma briga de trânsito.
O conflito começou quando Renê pediu que o caminhão de lixo fosse retirado da via para a passagem de seu carro elétrico. Após discutir com a motorista do caminhão, Renê desceu armado, ameaçou atirar no rosto dela e disparou contra Laudemir, atingindo-o na costela.

Laudemir foi socorrido, levado ao hospital, mas morreu devido a hemorragia interna causada pelo projétil, que ficou alojado no corpo dele. Renê foi localizado e preso horas depois, em uma academia de luxo, no bairro Estoril, em ação conjunta das polícias Civil e Militar.
A viúva do gari, Liliane França da Silva, vai concorrer a uma vaga de deputada federal por Minas Gerais nas eleições deste ano. Filiada ao PDT, ela teve a candidatura oficializada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na disputa, Liliane adotou “Lili do Gari” como nome de urna.

