As redes sociais podem estar ligadas ao aumento da sensação de inadequação. Para pais e mães, conteúdos que retratam uma criação “ideal” dos filhos ajudam a consolidar uma imagem inatingível de perfeição, o que pode contribuir para o esgotamento físico e emocional conhecido como burnout parental.
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De acordo com a psicóloga Gabriela Inthurn, o burnout parental é um termo recente focado nos cuidados e responsabilidades com os filhos.
“Ele se diferencia do cansaço comum porque está relacionado a um aspecto específico da vida da pessoa. O que é mostrado nas redes sociais é um recorte da realidade, muitas vezes editado, que leva os pais a se compararem com pessoas em situações financeiras e redes de apoio diferentes, achando que deveriam estar fazendo mais ou que não são bons o suficiente”, explica a profissional.







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Getty ImagesGabriela conta que entre os principais sintomas de esgotamento estão a dificuldade no relacionamento com os filhos, o cansaço extremo que não passa ao dormir ou tentar relaxar, a sensação frequente de sobrecarga, a culpa excessiva, a autocrítica elevada, dores de cabeça sem explicação e dificuldade de concentração.
Segundo a professora do curso de Psicologia da UNIASSELVI, o quadro pode ser atravessado por questões de gênero. “As redes sociais são um reflexo da sociedade em que vivemos. Se na sociedade atual a cobrança é realizada de forma desproporcional sobre a mulher, as redes sociais seguirão esse mesmo comportamento”, analisa Gabriela.
Parentalidade leve e sem culpa
De acordo com a psicóloga Gabriela Inthurn, viver uma paternidade leve e sem culpa inclui estudar sobre parentalidade e desenvolvimento infantil para compreender que cada criança é única. Também vale ter uma vida além dos filhos, com amizades e cuidando da própria saúde.
“É importante construir uma rede de apoio e estar próximo de outros pais para compartilhar experiências reais, sem os recortes da internet. Entender que a parentalidade é um aprendizado contínuo, tanto para os adultos quanto para a criança, ajuda a reconhecer que haverá fases mais fáceis e outras mais complexas”, finaliza a profissional.

