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Papuda: relatório aponta superlotação e presença de insetos em celas

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Papuda: relatório aponta superlotação e presença de insetos em celas

Um relatório produzido pelo Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), órgão ligado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), aponta condições degradantes de custódia no Centro de Internamento e Reeducação (CIR), unidade do Complexo Penitenciário da Papuda. Dentre as situações, estão superlotação das celas, falta de camas, vasos sanitários quebrados, alagamentos e a presença de ratos, morcegos e escorpiões.

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Relatório mostra superlotação de celas
Detentos usam baldes para dar descargas
Em algumas celas, percevejos foram encontrados
Um detento apresentava picadas de inseto pelo braço
Relatório mostra superlotação de celas
Metrópoles
Detentos instalam redes no teto para conseguir dormir
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Detentos instalam redes no teto para conseguir dormir

Reprodução/MNPCT
Relatório mostra superlotação de celas
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Relatório mostra superlotação de celas

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Detentos usam baldes para dar descargas
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Detentos usam baldes para dar descargas

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Em algumas celas, percevejos foram encontrados
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Em algumas celas, percevejos foram encontrados

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Um detento apresentava picadas de inseto pelo braço
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Um detento apresentava picadas de inseto pelo braço

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Relatório mostra superlotação de celas
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Relatório mostra superlotação de celas

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Relatório mostra superlotação de celas
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Relatório mostra superlotação de celas

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As inspeções foram realizadas nos dias 17 e 19 de março de 2026. Na ocasião, a unidade tinha 2.988 pessoas para 1.527 vagas, o que representa uma taxa de ocupação de 196%.

Em uma das alas visitadas, celas projetadas para oito pessoas chegavam a abrigar mais de 30 presos, e a falta de camas e de espaço fazia com que pessoas dormissem no chão ou em redes improvisadas. Em uma das celas, presos relataram que chegavam a estender cerca de 15 redes no alto durante a noite.

“Ao negar o fornecimento de leitos (camas ou beliches) e espaço físico adequado, o Estado impõe uma arquitetura do sofrimento. Obrigar um ser humano a deitar-se sobre o chão de um banheiro, local cronicamente contaminado por dejetos biológicos, atinge diretamente a integridade psíquica da pessoa presa, atacando sua dignidade através da humilhação profunda e da privação do sono”, diz trecho do documento.

A falta de espaço também fazia com que alguns presos precisassem limpar o banheiro para colocar o colchão no chão. Segundo o relatório, a necessidade de instalar dezenas de redes sobrepostas no teto das celas ainda criava risco de quedas e comprometia a mobilidade e a ventilação do ambiente.

Em outra ala, as celas tinham 12 camas, distribuídas em seis beliches, mas chegavam a abrigar quase 30 pessoas. No dia da inspeção, a temperatura média na área externa era de 22°C, enquanto uma das celas superlotadas registrou temperatura de 32ºC.

Quanto aos banheiros das celas, é comum ver vasos sanitários entupidos ou quebrados. Os presos utilizavam o ralo do piso para fazer as necessidades fisiológicas e, para evitar o entupimento, realizavam a coleta manual das próprias fezes utilizando sacolas plásticas improvisadas.

A situação provocava alagamentos nos banheiros, molhando as celas e os colchões. O relatório também registrou uma infestação de carrapatos, com várias pessoas apresentando picadas na pele, além de relatos da presença de ratos, mosquitos, morcegos, escorpiões, baratas e percevejos.

Para o MNPCT, a manutenção das condições encontradas pode configurar uma forma de tortura ambiental ou institucional. “ privação de instalações sanitárias básicas é utilizada internacionalmente como indicador de tortura ambiental/institucional”, afirma o documento.

Segundo o relatório, as condições observadas também podem configurar violações à Lei de Execução Penal (LEP) e às Regras de Mandela, da Organização das Nações Unidas (ONU), que estabelecem parâmetros mínimos para o tratamento de pessoas privadas de liberdade. A superlotação e os problemas estruturais, segundo o MNPCT, impedem a manutenção de condições térmicas adequadas e de área mínima por pessoa presa.

Além das condições estruturais, o relatório reúne relatos de violência e uso de armamentos menos letais. Pessoas presas relataram episódios de tratamento discriminatório, xingamentos e agressões físicas, incluindo enforcamentos e espancamentos.


Recomendações

  • Entre as medidas recomendadas pelo MNPCT está a adoção de ações de desencarceramento para reduzir a população da unidade. O órgão recomenda o deferimento de pedidos de progressão antecipada ao regime aberto para pessoas presas no CIR e a ampliação da medida para o livramento condicional;
  • O relatório também recomenda a concessão de prisão domiciliar sob monitoramento eletrônico para idosos em regime semiaberto, priorizando aqueles com mais de 80 anos, doenças graves ou que precisem de acompanhamento médico;
  • Outra recomendação é a implementação de uma central de regulação de vagas para “qualificar e recalcular as vagas do sistema prisional, obedecendo à ocupação máxima taxativa e adequando-se aos regimes de cumprimento de pena”;
  • O MNPCT reforça que a redução da população carcerária é necessária para interromper e prevenir formas de tratamento desumanas, cruéis ou degradantes identificadas durante a inspeção.

O Metrópoles fez contato com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seape-DF), que administra o Complexo da Papuda, e a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen). A reportagem será atualizada em caso de retorno por parte dos órgãos.

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